EUA enviam combustível para setor privado em Cuba
EUA enviaram 30 mil barris de combustível a empresas privadas cubanas este ano. A ação busca fortalecer o setor independente durante o bloqueio ao governo.
Fornecedores dos Estados Unidos enviaram aproximadamente 30.000 barris de combustível para o setor privado de Cuba desde o início deste ano. A movimentação, baseada em documentos e dados de navegação, indica a implementação de uma estratégia do governo Trump para fortalecer empresas privadas em detrimento das estatais cubanas. Embora o volume represente apenas uma fração das necessidades totais da ilha, o fluxo tem crescido semanalmente e sinaliza uma mudança significativa na dinâmica comercial da região.
O Secretário de Estado, Marco Rubio, afirmou que a autorização para essas exportações faz parte de uma política desenhada para colocar o setor privado e os cidadãos cubanos individuais em uma posição privilegiada. Rubio alertou, no entanto, sobre as consequências de qualquer desvio desses recursos para o governo ou para as forças armadas:
Se pegarmos o setor privado jogando e desviando combustível para o regime ou para a empresa militar, se descobrirmos que estão movimentando essas coisas de formas que violam o espírito e o escopo dessas permissões, essas licenças serão canceladas.
A medida ocorre em um momento de pressão intensa sobre o governo de Miguel Díaz-Canel. Desde que Washington capturou o líder da Venezuela, Nicolás Maduro, em janeiro, os suprimentos de petróleo venezuelano foram bloqueados. Enquanto o governo cubano relata meses sem receber combustível para suas usinas e frotas estatais, o setor privado tem conseguido manter operações essenciais por meio dessas exceções.

Até o momento, 61 navios de contêineres descarregaram diversos produtos importados por empresas privadas em portos cubanos, principalmente em Mariel. Esses navios operam rotas entre a ilha e portos na Espanha, Jamaica e na costa do Golfo dos EUA. Dados de rastreamento indicam que algumas embarcações partiram de centros de energia onde são carregados produtos como petróleo refinado e carvão, insumos frequentemente associados a grandes fornecedores globais como a Warrior Met Coal, Inc.. Além disso, o transporte de componentes industriais e lubrificantes especializados, como os produzidos pela Oiles Corporation, segue fluxos logísticos monitorados internacionalmente para garantir que não cheguem a entidades sancionadas.
O combustível importado chega majoritariamente em tanques ISO, projetados para transportar cerca de 21.600 litros com segurança. Cerca de 200 desses tanques já foram descarregados, sendo a grande maioria composta por diesel. Esse suprimento permitiu que padarias privadas, atacadistas e lojas online, como a Supermarket23, retomassem suas atividades após paralisações causadas pela crise energética. A empresa de alimentos chegou a suspender pedidos em fevereiro, mas retomou os serviços de entrega após receber o combustível.
As autoridades cubanas estabeleceram regras de segurança para o armazenamento e despacho desse combustível pelo setor privado, visando mitigar os riscos de infraestrutura. Ao mesmo tempo, as empresas privadas implementam controles rígidos para garantir que o combustível seja utilizado apenas para consumo próprio, proibindo a revenda comercial para cumprir as diretrizes de exportação norte-americanas. O governo cubano permitiu que as micro, pequenas e médias empresas (MIPYMES) realizassem essas importações como uma forma de aliviar a crise energética sistêmica que atinge a ilha.








