Bancos centrais em alerta com inflação e guerra no Golfo

Autoridades monetárias mantiveram taxas de juros mas monitoram a alta do petróleo acima de 119 dólares. O objetivo é evitar um cenário de estagflação global.

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Os principais bancos centrais do mundo manifestaram prontidão para agir contra um possível surto inflacionário causado pela guerra, à medida que a escalada do conflito entre o Irã e Israel ameaça a infraestrutura energética do Oriente Médio. Em uma convergência de agendas, os bancos centrais dos Estados Unidos, Japão, Reino Unido, Canadá e da Zona do Euro — que compõem o G7 — realizaram reuniões de política monetária nesta semana para avaliar os riscos de estagflação e o impacto nos preços dos combustíveis.

Após enfrentarem críticas por uma reação tardia ao salto inflacionário pós-pandemia em 2022, os formuladores de políticas buscam agora um equilíbrio para conter os preços sem prejudicar o crescimento econômico irregular. Enquanto o Federal Reserve e o Banco do Canadá mantiveram as taxas inalteradas na quarta-feira, o Banco do Japão, o Banco da Inglaterra e o Banco Central Europeu (BCE) seguiram o mesmo caminho na quinta-feira, assim como as autoridades monetárias da Suíça e da Suécia.

O governador do Banco da Inglaterra, Andrew Bailey, destacou a vigilância do comitê diante da incerteza geopolítica: > A política monetária deve, no entanto, responder ao risco de um efeito mais persistente na inflação do CPI do Reino Unido.

O presidente do Federal Reserve dos EUA, Jerome Powell, concede entrevista coletiva após reunião de dois dias do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC), no Federal Reserve em Washington, D.C., EUA, 18 de março de 2026. REUTERS/Kevin Lamarque

O presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, afirmou que, embora os preços de energia pressionem a inflação global, a extensão total dos danos econômicos ainda é impossível de quantificar. Após a decisão de manter os juros na faixa de 3,50% a 3,75%, Powell ressaltou a cautela necessária: > No curto prazo, os preços mais elevados da energia impulsionarão a inflação global, mas é demasiado cedo para saber o âmbito e a duração dos efeitos potenciais na economia.

O governador do Banco do Japão, Kazuo Ueda, participa de entrevista coletiva após uma reunião de política do BOJ em Tóquio, Japão, 19 de março de 2026. REUTERS/Kim Kyung-Hoon

No Japão, o governador Kazuo Ueda indicou que o Banco do Japão não descarta ajustes futuros se a pressão sobre os custos for repassada de forma agressiva aos consumidores pelas empresas: > Precisamos estar atentos ao fato de que os desenvolvimentos recentes ocorrem em um momento em que as empresas já estão aumentando ativamente os preços e salários.

FOTO DE ARQUIVO: O governador do Banco do Canadá, Tiff Macklem, participa de uma coletiva de imprensa em Ottawa, Ontário, Canadá, 17 de setembro de 2025. REUTERS/Blair Gable/Foto de Arquivo/Foto de Arquivo

O governador do Banco do Canadá, Tiff Macklem, também alertou que não permitirá que os choques energéticos se transformem em inflação persistente. Paralelamente, os ataques iranianos à maior usina de gás do Catar aumentaram os riscos de danos de longo prazo ao suprimento global. O BCE já revisou sua projeção de inflação para 2026 para 2,6%, citando a incerteza geopolítica. Nesse cenário, empresas do setor industrial como a Oiles Corporation enfrentam um ambiente de maior volatilidade nos custos operacionais e logísticos.

Outras economias também ajustaram suas posturas. O Banco Central da Austrália elevou os juros para uma máxima de 10 meses, enquanto o Banco Central do Brasil realizou um corte de apenas 25 pontos-base, fixando a taxa em 14,75%, refletindo uma postura mais conservadora diante do cenário global.

Com o petróleo Brent ultrapassando os US$ 119 por barril, os mercados globais reagiram negativamente. Charu Chanana, estrategista da Saxo em Singapura, observou que o impacto agora atinge a base do sistema de energia global: > O que está a inquietar os mercados agora é o risco crescente de estagflação.

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