Aéreas elevam tarifas e cortam voos por custo de combustível
A alta do combustível para até 200 dólares o barril levou aéreas a subir tarifas e taxas de bagagem. O setor também corta voos e revisa projeções de lucro.
A escalada nos preços do combustível de aviação, impulsionada pelas tensões geopolíticas envolvendo os Estados Unidos, Israel e o Irã, está forçando uma reestruturação profunda no setor aéreo global. Com o custo do querosene saltando de uma faixa de US$ 85 a US$ 90 para valores entre US$ 150 e US$ 200 por barril, companhias de todo o mundo estão elevando tarifas e revisando suas projeções financeiras para lidar com um insumo que representa até um quarto de suas despesas operacionais. Na América do Norte, a American Airlines Group Inc e a DELTA AIR LINES INC lideram o movimento de alta em taxas de serviços, como o despacho de bagagens. A Delta reduziu sua previsão de lucro e suspendeu planos de crescimento para o trimestre atual, enquanto a UNITED AIRLINES HOLDINGS INC anunciou o corte de rotas deficitárias e aumentos de custos para viagens rumo ao México e ao Canadá. Sobre a resiliência da demanda, o diretor comercial da United, Andrew Nocella, afirmou: > "A United conseguiu aumentar as tarifas sem prejudicar materialmente as reservas em resposta ao rápido aumento nos preços do petróleo e do combustível de aviação." Outras operadoras como a SOUTHWEST AIRLINES CO, ALASKA AIR GROUP INC e JETBLUE AIRWAYS CORP também implementaram reajustes significativos em taxas acessórias, enquanto a FRONTIER GROUP HOLDINGS INC colocou seu planejamento anual sob análise rigorosa devido à volatilidade do mercado. Na Europa, o cenário é de cautela e reajustes estratégicos. O grupo AIR FRANCE-KLM confirmou que os bilhetes de longa distância ficarão mais caros para compensar os custos extras. A EASYJET PLC previu altas para o final do verão, período em que suas atuais coberturas de preço expiram. Em contrapartida, a INTL CONSOLIDATED AIRLINE-DI, proprietária da British Airways, informou que não planeja aumentos imediatos por estar protegida por contratos de hedge. Em Portugal, a TAP anunciou que os aumentos de preços visam mitigar o impacto na receita. Na Grécia, a AEGEAN AIRLINES espera que a combinação de preços altos e a suspensão de voos no Oriente Médio afete seus resultados trimestrais. A região da Ásia-Pacífico apresenta uma das respostas mais agressivas à crise. A AIRASIA X BHD, sediada na Malásia, reduziu sua malha em 10% e aplicou sobretaxas. Em Hong Kong, a CATHAY PACIFIC AIRWAYS elevou sua sobretaxa de combustível em 34% e monitora a demanda para destinos como o Japão. Outras operadoras locais, como a Greater Bay Airlines e a Hong Kong Airlines, elevaram taxas para voos rumo às Maldivas, Bangladesh e Nepal. Na China, a CHINA EASTERN AIRLINES CO-H e a SPRING AIRLINES CO LTD-A ajustaram as sobretaxas para voos domésticos. Na Índia, a INTERGLOBE AVIATION LTD e a Air India revisaram suas estruturas tarifárias, com a primeira buscando apoio governamental para redução de impostos. A Coreia do Sul viu a KOREAN AIR LINES CO LTD entrar em regime de gestão de emergência para otimizar a eficiência de custos. No Sudeste Asiático e Oceania, a THAI AIRWAYS INTERNATIONAL da Tailândia projeta aumentos de até 15%, enquanto a AIR NEW ZEALAND LTD cortou voos e suspendeu projeções de lucro. Nas Filipinas, a CEBU AIR INC revisa sua rede de voos. No Vietnã, a VIETJET AVIATION JSC e a VIETNAM AIRLINES JSC enfrentam desafios logísticos e fiscais severos. A VIRGIN AUSTRALIA HOLDINGS LT, na Austrália, também confirmou ajustes tarifários devido à pressão geopolítica. Por fim, na Turquia, a SunExpress, joint venture entre a TURK HAVA YOLLARI AO e a DEUTSCHE LUFTHANSA-REG, aplicará sobretaxas temporárias. No Paquistão, a Pakistan International Airlines também elevou os preços das passagens diante do cenário de volatilidade global.











