Aéreas elevam tarifas e cortam voos por alta do combustível
O aumento do combustível para até 200 dólares por barril força aéreas a elevar tarifas. TAP e outras operadoras reduzem voos para conter custos operacionais.
O setor de aviação global enfrenta uma reestruturação forçada devido à disparada dos preços do combustível de aviação, provocada pelo conflito entre os Estados Unidos, Israel e o Irã. O custo do querosene, que oscilava entre US$ 85 e US$ 90 por barril, atingiu picos de US$ 150 a US$ 200 nas últimas semanas, representando um golpe financeiro significativo para um setor onde o combustível representa até 25% das despesas operacionais. As companhias aéreas estão respondendo com aumentos de tarifas, cortes de capacidade e revisões de suas projeções financeiras.Na Europa e na América do Norte, as medidas para mitigar os custos são severas. A Aegean Airlines, da Grécia, alertou para impactos nos resultados do primeiro trimestre, enquanto a Air Canada reduzirá frequências para Nova York no Canadá. O grupo Air France-KLM elevará os preços de bilhetes de longa distância em 50 euros por ida e volta, enquanto sua unidade nos Países Baixos, a KLM, cancelará 160 voos. A Lufthansa planeja aterrar 27 aviões de sua subsidiária CityLine e retirar quatro Airbus A340-600. No Reino Unido, a EasyJet PLC previu prejuízos maiores, citando 25 milhões de libras em custos extras de combustível apenas em março. Já a TAP, em Portugal, e a espanhola Volotea, na Espanha, também ajustaram suas políticas de preços.As operadoras da região Ásia-Pacífico também adotam estratégias defensivas. Na Malásia, a AirAsia X Bhd cortou 10% de seus voos e aplicou uma sobretaxa de 20%. A Air New Zealand Ltd reduziu voos na Nova Zelândia e suspendeu suas previsões de lucro anual. Na Austrália, a Qantas Airways Ltd adiou uma recompra de ações de 150 milhões de dólares australianos e elevou sua estimativa de gastos com combustível. A Virgin Australia Holdings Lt previu um aumento de custos de até A$ 40 milhões. Na Tailândia, a Thai Airways International anunciou reajustes tarifários de até 15%, enquanto a Vietnam Airlines JSC cancelará 23 voos semanais no Vietnã e solicitou a remoção de impostos ambientais.Nos mercados americanos, a Alaska Air Group Inc retirou sua previsão de lucro e a American Airlines Group Inc aumentou as taxas de bagagem despachada em US$ 10. A Delta Air Lines Inc cortou sua capacidade planejada e previu lucros abaixo das expectativas. A Frontier Group Holdings Inc e a Southwest Airlines Co também revisaram projeções ou aumentaram taxas. A CEO da JetBlue Airways Corp, Joanna Geraghty, afirmou que a empresa não considera falência, apesar de ter firmado um acordo de dívida de US$ 500 milhões. A United Airlines Holdings Inc está cortando rotas não lucrativas e elevando taxas para o México e outras regiões. O CEO da United, Scott Kirby, destacou a visão de longo prazo da empresa: > "A companhia está se preparando para que os preços do petróleo permaneçam acima de US$ 100 até o final de 2027."No leste asiático, a Asiana Airlines e a Korean Air Lines Co Ltd ajustam operações na Coreia do Sul, com a Tway Air Co Ltd colocando tripulantes em licença. Em Hong Kong, a Cathay Pacific Airways busca financiamento de HK$ 2 bilhões, enquanto operadoras locais elevam taxas para o Japão, Maldivas, Bangladesh e Nepal. Na China, a China Eastern Airlines Co-H e a Spring Airlines aumentaram sobretaxas domésticas. Nas Filipinas, a Cebu Air Inc revisa sua rede, enquanto a VietJet Aviation JSC ajustou frequências. Na Índia, a InterGlobe Aviation Ltd e a Air India implementaram novas taxas de combustível. Na Turquia, a Turkish Airlines retém lucros para preservar caixa, enquanto no Paquistão as tarifas subiram até US$ 100.











