Alta do combustível força aéreas a elevar preços e taxas
O salto nos preços do combustível para até 200 dólares por barril levou aéreas como Delta e TAP a subir tarifas. As medidas incluem novas taxas de bagagem e cortes na oferta de voos para mitigar custos.
A escalada nos preços do combustível de aviação, impulsionada pelo conflito envolvendo os Estados Unidos, Israel e o Irã, está forçando companhias aéreas ao redor do mundo a elevar tarifas e revisar suas perspectivas financeiras. O custo do querosene de aviação saltou de uma média de US$ 85 a US$ 90 por barril para valores entre US$ 150 e US$ 200 nas últimas semanas, representando um golpe severo para uma indústria onde o combustível responde por até 25% das despesas operacionais.
Na América do Norte, as operadoras estão recorrendo ao aumento de taxas de serviços para mitigar os custos. A American Airlines Group Inc anunciou que elevará as taxas de bagagem despachada em US$ 10 para a primeira e segunda malas em voos domésticos, além de prever um aumento de US$ 400 milhões em despesas no primeiro trimestre. A Delta Air Lines Inc também revisou sua estratégia, cortando a capacidade planejada em 3,5 pontos percentuais e elevando as taxas de bagagem. No mesmo sentido, a United Airlines Holdings Inc está cancelando rotas não lucrativas e ajustando tarifas para destinos no México e Canadá.
A United conseguiu aumentar as tarifas sem prejudicar materialmente as reservas em resposta ao rápido aumento nos preços do petróleo e do combustível de aviação.
Outras empresas da região, como a Alaska Air Group Inc, a Southwest Airlines Co e a JetBlue Airways Corp, também confirmaram aumentos em taxas acessórias. Enquanto isso, a Frontier Group Holdings Inc informou que sua previsão para o ano inteiro está sob revisão devido à volatilidade do mercado energético.
Na Europa, o grupo Air France-KLM planeja aumentar os preços das passagens de longa distância em cerca de 50 euros por ida e volta para lidar com os custos na França. No Reino Unido, a controladora da British Airways, IAG, mantém os preços estáveis por enquanto devido a proteções financeiras, mas a EasyJet PLC sinalizou que reajustes são inevitáveis.
Os consumidores europeus devem esperar preços de passagens mais altos no final do verão, quando as atuais proteções de combustível chegarem ao fim.
A Lufthansa, através da SunExpress, aplicará uma sobretaxa temporária de 10 euros em voos entre a Turquia e o continente europeu a partir de maio. Na Grécia, a AEGEAN AIRLINES alertou que a suspensão de voos no Oriente Médio e a alta do combustível impactarão os resultados trimestrais. Em Portugal, a TAP indicou que os aumentos de tarifas ajudarão a mitigar as perdas de receita.

O impacto é igualmente profundo na região da Ásia-Pacífico. A AirAsia X Bhd, sediada na Malásia, reduziu sua malha em 10% e aplicou uma sobretaxa de 20%. Em Hong Kong, a Cathay Pacific Airways elevou sua sobretaxa de combustível em 34%, embora mantenha os valores inalterados para rotas rumo ao Japão. A Air New Zealand Ltd, operando na Nova Zelândia, foi uma das primeiras a suspender projeções de lucro e cortar voos.
Na Coreia do Sul, a Korean Air Lines Co Ltd entrou em regime de gestão de emergência para focar na eficiência de custos. Na Tailândia, a Thai Airways International anunciou reajustes tarifários de até 15%. No Vietnã, a VietJet Aviation JSC e a Vietnam Airlines JSC enfrentam desafios logísticos e tributários, com a última solicitando isenções fiscais ao governo.
Outras medidas regionais incluem:
- A China Eastern Airlines Co-H elevou sobretaxas para voos domésticos na China.
- A InterGlobe Aviation Ltd introduziu cobranças adicionais na Índia para rotas internacionais.
- A Cebu Air Inc revisa sua rede de voos nas Filipinas.
- Reajustes foram confirmados no Paquistão e na Austrália, com aumentos significativos em voos para as Maldivas, Bangladesh e Nepal.











