Ucrânia quer importar gás natural liquefeito de Moçambique
Zelenskiy manifestou interesse em importar gás de Moçambique para suprir quebras na produção ucraniana. Kiev oferece em troca apoio tecnológico e de segurança.
A Ucrânia manifestou interesse formal em importar gás natural liquefeito (GNL) de Moçambique, conforme declarado pelo presidente Volodymyr Zelenskiy. A medida visa suprir as necessidades energéticas do país, que enfrenta dificuldades após anos de ataques da Rússia contra sua infraestrutura de produção nacional.
Historicamente, o território ucraniano era capaz de atender quase toda a sua demanda por meio da produção doméstica. Contudo, as investidas russas resultaram na perda de cerca de metade da produção nacional de gás. Os ataques intensificaram-se no último outono, atingindo principalmente instalações em regiões de linha de frente no nordeste e no centro do país.

Em comunicado divulgado após reunião com o presidente moçambicano, Daniel Chapo, Zelenskiy indicou que Kiev poderia oferecer apoio técnico e de segurança à nação africana, que atualmente lida com uma insurgência islâmica. Em troca, a Ucrânia buscaria garantir novos fluxos de suprimento energético para sustentar sua economia e população.
Moçambique está interessado na experiência e nas tecnologias da Ucrânia para fortalecer a sua segurança interna e proteger as pessoas do terror.
Moçambique consolidou-se como um importante produtor de gás no continente africano. Em janeiro, o governo local e a TotalEnergies SE anunciaram o relançamento de um projeto de GNL que havia sido paralisado devido à instabilidade na região. Com capacidade para produzir 13 milhões de toneladas métricas anuais, o empreendimento deve transformar o país em um exportador de peso no cenário global.
A Ucrânia não importa gás russo desde 2015, tendo expandido suas fontes nos últimos anos. Atualmente, o país recebe GNL dos Estados Unidos por meio de terminais na Polônia e nos Estados Bálticos, além de utilizar o chamado Corredor Vertical de gasodutos a partir da Grécia.
Dados recentes mostram que Kiev já iniciou o armazenamento de gás em suas instalações subterrâneas para a próxima temporada de inverno. O governo pretende iniciar o período de aquecimento de 2026–2027 com um estoque de pelo menos 13 bilhões de metros cúbicos, volume semelhante ao registrado no ciclo anterior. Desde o início do conflito em larga escala, detalhes específicos sobre o volume total de importações permanecem sob sigilo de segurança.










