Mercado da Coreia do Sul atrai capital estrangeiro em abril
Investidores estrangeiros voltam à Coreia do Sul atraídos por chips de IA e reformas. O mercado de títulos resiste à volatilidade e à desvalorização do won.
Os mercados de capitais da Coreia do Sul estão atraindo novamente investidores estrangeiros após um mês de março desafiador. A estabilidade emergente no Oriente Médio, após as tensões envolvendo o Irã, aliada ao forte interesse em semicondutores para Inteligência Artificial (IA) e às reformas de governança corporativa em Seul, impulsionou a recuperação de ações e títulos. O índice de referência KOSPI, monitorado por instrumentos como o KB RISE KOSPI ETF, recuperou grande parte da queda de 19% sofrida no mês anterior, mantendo o fôlego que o destacou como um dos principais índices globais no último ano. No entanto, a volatilidade recente expôs fragilidades, como a dependência de poucas empresas de tecnologia e oscilações que superam a maioria das bolsas internacionais. A moeda local permanece em níveis historicamente baixos, o que encarece a importação de energia e limita a margem para estímulos econômicos devido ao risco inflacionário. Apesar disso, cerca de US$ 4,2 bilhões em capital estrangeiro retornaram ao mercado acionário sul-coreano em abril, contrastando com a saída recorde de US$ 23,8 bilhões em março. Para Isaac Thong, diretor sênior de investimentos da Aberdeen Investments, a correção de preços criou uma oportunidade estratégica. Ele reduziu posições em fabricantes de semicondutores de Taiwan para adquirir ações de produtoras de chips de memória na Coreia, como a SAMSUNG ELECTRONICS CO LTD. > "Estamos cautelosamente otimistas, mas acreditamos que esta é uma megatendência." > "Salvo um cenário de recessão, acreditamos que esta tendência irá continuar." O governo também tenta combater o chamado "Desconto Coreano" — uma desvalorização crônica das empresas locais em relação aos pares globais — por meio de reformas na governança dos chaebols (conglomerados familiares). Essa estratégia busca replicar o sucesso das políticas econômicas vistas no Japão na década passada. No mercado de renda fixa, a resiliência é notável, com empresas coreanas captando US$ 74,7 bilhões no primeiro trimestre de 2026. A expectativa de inclusão dos títulos soberanos no World Government Bond Index da FTSE tem atraído grandes gestores globais. Riad Chowdhury, chefe de Ásia-Pacífico na MARKETAXESS HOLDINGS INC em Singapura, projeta fluxos significativos de fundos passivos para o país. > "A Coreia não estava em nenhum dos principais índices globais até agora." > "É uma daquelas grandes negociações de Ásia para Ásia." Apesar do otimismo, a fraqueza do won e a fuga de capital para o dólar continuam no radar das autoridades, que têm emitido alertas e realizado intervenções estratégicas por meio do fundo de pensão estatal para estabilizar a taxa de câmbio.










