África do Sul foca em extração superficial com alta do ouro
Com a alta do ouro, mineradoras focam em extração superficial e resíduos. A produção nacional deve seguir estável em 90 toneladas durante o próximo ano.
Os preços recordes do ouro estão impulsionando a indústria de mineração da África do Sul a buscar novas formas de recuperar o metal precioso, evitando a dispendiosa mineração em poços profundos que caracterizou o setor por décadas. Apesar da valorização do ativo, executivos do setor alertam que não se espera um boom no desenvolvimento de novas minas, o que torna improvável um aumento significativo na produção a curto prazo. A exploração de ouro no país sofreu uma queda drástica de quase 90% desde a década de 1990. Segundo dados da Statistics South Africa, os gastos com exploração mineral recuaram de US$ 900 milhões em 2006 para apenas US$ 43 milhões em 2025. A produção anual também despencou, saindo de um pico de 1.000 toneladas em 1970 para as atuais 90 toneladas métricas, reflexo da diminuição das reservas economicamente viáveis e das condições geológicas desafiadoras das minas mais profundas do mundo. Simultaneamente, o cenário global favorece o metal. Os preços do ouro subiram cerca de 60% em 2025, atingindo sucessivas máximas históricas impulsionadas por tensões comerciais, compras de bancos centrais e expectativas de cortes nas taxas de juros nos Estados Unidos. Gigantes globais como a Barrick Gold Corporation acompanham de perto essa dinâmica de preços, que ainda não foi suficiente para motivar investimentos massivos em novas frentes de extração subterrânea profunda no território sul-africano. Em resposta a esse cenário, mineradoras diversificadas como a Sibanye Stillwater Limited estão priorizando projetos rasos e de alta margem. A estratégia da companhia foca em Burnstone, um projeto de baixo custo e longa vida útil. Além disso, a empresa busca oportunidades de crescimento através de sua participação de 50% na DRDGOLD LTD, especializada na recuperação de ouro a partir de rejeitos de mineração. A HARMONY GOLD MINING CO LTD, maior produtora de ouro do país, também sinaliza que a expansão da mineração subterrânea tradicional permanece improvável. A empresa projeta recuperar potencialmente 5,7 milhões de onças por meio do retratamento de resíduos. A diretora financeira da Harmony Gold, Boipelo Lekubo, destacou as incertezas temporais do setor. > Dado o tempo de espera necessário para desenvolver uma área, possivelmente você só começaria a minerar lá em cerca de dois a três anos, e quem sabe qual será o preço do ouro então? Um ponto fora da curva é a West Wits Mining, que inaugurou em outubro passado a primeira nova mina subterrânea da África do Sul em 15 anos. A unidade Qala Shallows explora a bacia de Witwatersrand, região historicamente responsável por cerca de metade de todo o ouro já minerado no mundo. O projeto utiliza hidropotência para extração e é mecanizado, o que reduz custos operacionais em comparação aos métodos tradicionais de ar comprimido. O CEO da West Wits Mining, Rudi Deysel, explicou a viabilidade do empreendimento durante uma visita técnica. > Na verdade, conseguimos um projeto muito, muito econômico, dados os novos preços do ouro. Apesar de iniciativas como a da West Wits, que planeja escalar sua produção para 200.000 onças em fases futuras, a perspectiva geral para a produção nacional permanece estagnada. O Minerals Council of South Africa prevê que a produção de ouro continue em torno de 90 toneladas métricas no próximo ano, mantendo o patamar observado nos últimos cinco anos.







