Crise de gás no Oriente Médio afeta siderúrgicas na Índia
A escassez de GNL e a alta do carvão forçaram siderúrgicas indianas a cortarem a produção em 50%. O conflito no Irã interrompeu suprimentos e elevou custos.
Pequenos produtores de aço na Índia alertaram sobre cortes iminentes na produção devido à escalada do conflito no Oriente Médio, que interrompeu o fornecimento de gás para o segundo maior produtor mundial da liga, atrás apenas da China. A crise energética, agravada pelas tensões envolvendo o Irã, atinge especialmente as usinas que dependem do gás natural liquefeito (GNL) importado para operar seus fornos. > Estamos prevendo um corte de 50% na produção a partir de agora e uma paralisação total à frente, se os suprimentos não melhorarem dentro de uma semana. A declaração de Yogesh Kanakiya, diretor da Triveni Iron and Steel Industries, reflete a situação crítica no estado de Gujarat, a maior região consumidora de gás do país. Muitos produtores locais de aço dependem do GNL do Oriente Médio, e fornecedores como a Gujarat Gas declararam força maior na última semana para restringir o abastecimento industrial. Além da escassez de gás, o setor siderúrgico enfrenta o encarecimento do carvão e do frete, impulsionado pela instabilidade geopolítica. O preço do carvão térmico da África do Sul nos portos indianos saltou cerca de 13% na última semana, atingindo o nível mais alto em três anos. Esse cenário de custos elevados pressiona mineradoras e fornecedores globais de carvão, como a Warrior Met Coal, Inc., enquanto as empresas tentam equilibrar a produção diante de margens cada vez mais reduzidas. > Trabalhamos com margens muito estreitas e elas encolheram, estamos preocupados com os suprimentos e isso está afetando nossa tomada de decisão em relação aos preços que precisamos manter. Segundo Anshum Goyal, diretor administrativo do Friends Steel Group, a incerteza sobre o abastecimento está dificultando o planejamento financeiro das usinas. Atualmente, cerca de 6% da produção de aço indiana utiliza ferro reduzido direto (DRI) baseado em gás, enquanto aproximadamente 50% da indústria depende de altos-fornos movidos a carvão. Com os custos de frete e matéria-prima subindo entre 10% e 12%, o setor de ferro esponja, que produz 50 milhões de toneladas anuais na região, permanece sob forte pressão operacional.










