Rússia adia mudança em fundo fiscal após alta do petróleo
A Rússia adiou mudanças no seu fundo fiscal após a alta do petróleo com a guerra no Irã. O aumento nas receitas aliviou a pressão sobre as finanças do país.
O aumento nos preços do petróleo desencadeado pelo conflito no Irã permitiu que o governo da Rússia adiasse um plano para reforçar as reservas fiscais de longo prazo, aliviando a pressão imediata sobre as finanças públicas. Embora a economia russa enfrente os custos das sanções internacionais e de suas ações militares, o país emergiu como um dos poucos beneficiários globais da guerra envolvendo os Estados Unidos e Israel. Os preços internacionais do petróleo, que giravam em torno de US$ 70 o barril no final de fevereiro, ultrapassaram a marca de US$ 100, enquanto os preços do gás também registraram fortes altas.

Espera-se que as receitas russas de petróleo e gás cresçam 70% em abril em relação a março, atingindo o nível mensal mais alto desde outubro de 2025. Esse cenário de custos de energia elevados impacta a inflação global e o desempenho de corporações internacionais, como a Colgate-Palmolive Company, além de influenciar o setor de mineração e ativos como a NovaGold Resources Inc.. No mercado de câmbio, a volatilidade russa refletiu-se no par USD/RUB, que registrou uma queda de 6% em março após a decisão do governo de pausar as vendas de moeda estrangeira.
A regra fiscal russa determina que receitas obtidas acima do preço de corte de US$ 59 por barril sejam direcionadas ao Fundo de Bem-Estar Nacional. Antes da crise, Moscou planejava reduzir esse valor para aumentar as reservas e discutia cortes de gastos. No entanto, fontes indicam que a mudança exigiria uma emenda legal à lei orçamentária, o que agora deve ocorrer apenas em 2027. O Ministro das Finanças, Anton Siluanov, comentou a estratégia governamental após reuniões recentes:
"O governo está considerando medidas para tornar o orçamento menos vulnerável às flutuações dos preços do petróleo no médio prazo."
O fundo de reserva é mantido principalmente em yuan, exercendo influência direta sobre o par USD/CNY e o mercado cambial local. A governadora do Banco Central, Elvira Nabiullina, afirmou que a regra orçamentária continua sendo a principal defesa do país contra choques externos. Apesar da alta nos preços, as autoridades mantêm cautela, prevendo que o petróleo manterá um prêmio de risco elevado mesmo se a crise no Oriente Médio for resolvida rapidamente.











