GKN cancela fábrica de ímãs de terras raras na Europa
A GKN cancelou a produção de ímãs de terras raras na Europa devido à incerteza financeira. O recuo afeta as metas da UE para reduzir a dependência da China.
A GKN Powder Metallurgy interrompeu seus planos de construir uma fábrica de ímãs permanentes de terras raras na Europa, evidenciando a dificuldade da região em competir com a hegemonia da China. O país asiático detém atualmente o controle de 90% do processamento global e 70% da extração desses minerais críticos, essenciais para a fabricação de veículos elétricos e tecnologias de defesa.

A decisão ocorre em um cenário onde a Europa enfrenta críticas por não oferecer o mesmo nível de incentivos financeiros que os Estados Unidos para o desenvolvimento de cadeias de suprimento locais. O projeto da GKN PM foi cancelado no final do ano passado, pouco antes da conclusão da aquisição da empresa pela DAUCH CORPORATION, anteriormente denominada American Axle & Manufacturing Holdings, Inc.. A nova controladora considerou a iniciativa como uma atividade não essencial, com perspectivas de rentabilidade incertas.
A transação, avaliada em US$ 1,44 bilhão, envolveu a compra da GKN PM e de sua então controladora, a DOWLAIS GROUP PLC, sediada no Reino Unido. A movimentação estratégica visa escala em um mercado automotivo que lida com a demanda volátil por veículos elétricos e a expansão global de fabricantes chineses.
A fábrica da GKN PM seria uma das poucas do gênero em solo europeu. Atualmente, a Neo Performance Materials Inc. possui produção na Estônia, enquanto a alemã Vacuumschmelze também atua no setor, embora foque sua expansão em território americano. A GKN PM já havia investido 20 milhões de euros no projeto e operava uma planta piloto na Alemanha.
O cancelamento impacta diretamente parcerias em andamento. A GKN PM colaborava com a Ionic Technologies, subsidiária da IONIC RARE EARTHS LTD, no desenvolvimento de processos de reciclagem de ímãs. Além disso, a empresa possuía um acordo de intenções para o fornecimento de componentes para a Schaeffler AG.
Essa desistência representa um revés para as metas da União Europeia, estabelecidas na Lei de Matérias-Primas Críticas de 2024. O bloco pretendia extrair 10% e processar 40% de suas necessidades anuais de materiais estratégicos até 2030, objetivos que agora enfrentam novos obstáculos com a redução de investimentos privados no setor.








