Inflação alemã atinge meta de 2% com queda na energia
A inflação alemã caiu para 2% em fevereiro com a baixa nos preços de energia. O mercado de trabalho ainda enfrenta desafios com o desemprego acima de 3 milhões.
A inflação na Alemanha apresentou uma queda inesperada para 2% em fevereiro, conforme dados preliminares divulgados nesta sexta-feira. O recuo foi impulsionado principalmente pela redução nos custos de energia, contrariando as projeções de analistas que esperavam a manutenção da taxa em 2,1%. A inflação subjacente, que desconsidera os preços de alimentos e energia, manteve-se estável em 2,5%. Especialistas apontam que o cenário inflacionário tem sido favorecido pela valorização do euro frente ao dólar dos Estados Unidos. A dinâmica do par EUR/USD ajudou a amortecer o aumento dos preços nos últimos meses. Ulrich Kater, economista-chefe do DekaBank, destacou que os indicadores permanecem em uma trajetória favorável. > "A inflação na Alemanha continua no campo positivo." O Banco Central Europeu (BCE) mantém o objetivo de estabilizar a inflação em 2% no médio prazo. Embora a presidente do BCE, Christine Lagarde, tenha indicado que a política monetária está em um bom patamar, a queda acentuada dos preços na zona do euro acende alertas sobre uma desaceleração excessiva. Thomas Gitzel, economista-chefe do VP Bank, comentou sobre a postura da autoridade monetária. > "O BCE manterá o seu curso atual por enquanto." Apesar dos sinais positivos nos preços, a economia real alemã enfrenta obstáculos significativos. O desemprego continua acima de 3 milhões de pessoas, evidenciando o impacto de anos de estagnação na maior economia do continente. O governo do chanceler Friedrich Merz busca reverter esse quadro com promessas de investimentos em infraestrutura e defesa, embora os resultados práticos ainda não tenham se materializado plenamente. Análises do ING THINK sugerem que a deterioração do mercado de trabalho era um desdobramento esperado, dado que a indústria enfrenta desafios estruturais profundos há mais de cinco anos. O relatório de emprego atual não sinaliza um ponto de virada, mas sim uma continuação do agravamento gradual das condições laborais. Os salários reais na região mostraram uma recuperação de 1,9% em 2025, após uma alta de 2,9% no ano anterior. Contudo, o poder de compra ainda não retornou aos níveis pré-pandemia de 2019. Esse cenário é reflexo dos choques econômicos globais e das tensões geopolíticas, incluindo a invasão da Ucrânia pela Rússia iniciada em 2022, que desestabilizou os mercados de commodities e energia.








