BCE alerta que volatilidade pode ampliar choques na economia
Luis de Guindos afirma que a incerteza dificulta previsões e o BCE analisará vários cenários. A subida do petróleo aumenta a pressão sobre a inflação.
O vice-presidente do Banco Central Europeu (BCE), Luis de Guindos, alertou nesta quarta-feira que a volatilidade dos mercados financeiros pode amplificar os choques econômicos na zona do euro. Durante uma conferência em Madri, de Guindos afirmou que a instituição avaliará diversos cenários de crescimento e inflação na próxima semana, quando definirá sua política monetária. O aumento de quase 50% nos preços do petróleo desde o início do ano, impulsionado pelas consequências do conflito no Irã, deve elevar a inflação e aumentar a pressão para que o BCE intervenha no controle dos preços.

Embora de Guindos tenha ressaltado a necessidade de manter a serenidade na reunião de 19 de março, ele admitiu que as previsões tornaram-se mais complexas e que a instabilidade do mercado pode agravar o impacto real na economia. Segundo o vice-presidente, o BCE deve agora contemplar vários cenários, repetindo a abordagem adotada quando a Rússia atacou a Ucrânia há quatro anos, aceitando que a incerteza é elevada e o prognóstico é mais difícil.
Uma amplificação do efeito de um choque energético pode ocorrer e levar a um impacto ainda mais intenso na atividade econômica.
Os mercados financeiros agora esperam que o BCE eleve as taxas de juros até o outono, sob a premissa de que o encarecimento do petróleo será repassado aos preços e que a instituição será menos tolerante com desvios inflacionários, dada sua experiência recente. Esse cenário de pressão nos custos de energia e incerteza macroeconômica afeta diretamente o planejamento de empresas globais, como a Oiles Corporation. O banco central foi um dos últimos entre os principais do mundo a reagir ao surto inflacionário no início desta década e precisou elevar os juros em ritmo recorde para conter o crescimento dos preços, que chegou a atingir dois dígitos. No entanto, de Guindos alertou que choques nos preços de energia também tendem a prejudicar o crescimento econômico, criando riscos de baixa para a economia da região.










