China foca em inteligência artificial para gerar empregos
Pequim planeja usar a inteligência artificial para impulsionar a economia e criar empregos. A estratégia visa compensar o envelhecimento da força de trabalho.
A China está concentrando seus esforços em uma estratégia nacional de inteligência artificial (IA) com o objetivo de gerar empregos e revitalizar sua economia. De acordo com formuladores de políticas e executivos de empresas, a corrida para adotar a tecnologia é vista como uma solução para compensar o envelchecimento da força de trabalho e a desaceleração econômica de longo prazo, minimizando os receios globais de que a automação possa prejudicar o mercado de trabalho. Planos detalhados durante a sessão anual do parlamento mostram que o governo está apostando alto na IA para os próximos cinco anos. Shujing He, analista sênior da consultoria Plenum, observou que a prioridade atual é o desenvolvimento da capacidade tecnológica em vez de tratar preventivamente o deslocamento de trabalhadores. > "Para já, o avanço da adoção e da capacidade da IA parece ser uma prioridade política superior à abordagem preventiva de uma potencial substituição de postos de trabalho." O Ministro dos Recursos Humanos, Wang Xiaoping, reforçou que o país busca alavancar a IA para criar oportunidades para os 12,7 milhões de graduados universitários previstos para este ano. No entanto, o otimismo de Pequim enfrenta ceticismo internacional. Enquanto o Fundo Monetário Internacional prevê que a IA afetará 40% dos empregos globais, pesquisadores nos Estados Unidos já observam impactos significativos sobre os novos profissionais que ingressam no mercado de trabalho. Alicia Garcia-Herrero, economista-chefe da Natixis, alertou que a automação pode reduzir salários e elevar o desemprego entre os jovens. Segundo ela, sem a introdução de uma renda básica universal, a população chinesa poderá ter dificuldades para lidar com esse choque tecnológico. No setor industrial, o presidente da Automobile & PCB Inc., Zhu Huarong, afirmou estar otimista de que a IA transformará o setor automotivo em uma indústria em ascensão. Paralelamente, instituições de ensino como a ShanghaiTech University já estão adaptando seus currículos para focar em habilidades que as máquinas não podem replicar, como o pensamento crítico e a criatividade. > "Se o seu pensamento não for aguçado, você não vencerá os robôs." A urgência dessa transição é acentuada por desafios demográficos, com cerca de 300 milhões de pessoas prestes a se aposentar na próxima década, o que pressiona os orçamentos previdenciários. Embora Pequim tenha estabelecido uma meta de crescimento do PIB de 4,5% a 5% — a mais baixa em décadas — o governo espera que a difusão da IA em setores como serviços e manufatura traga ganhos de produtividade essenciais. Apesar do foco na criação de empregos, economistas como Cai Fang alertam que a destruição de postos de trabalho pode preceder e superar a criação de novos cargos. No campo jurídico, um tribunal de Pequim estabeleceu um precedente importante ao declarar ilegal a demissão de funcionários apenas para substituí-los por IA. No entanto, o avanço de veículos autônomos e ferramentas como o Seedance 2.0 da Bytedance sugere que a transformação do mercado de trabalho já é uma realidade em curso. Poe Zhao, analista de tecnologia, observou que a narrativa da mídia local foca em aprender ferramentas de IA para garantir empregos bem remunerados, refletindo ansiedades generalizadas sobre o futuro profissional.









