OMC busca reforma de regras comerciais globais em Camarões
A diretora da OMC pediu a reforma das regras comerciais para evitar a fragmentação do sistema. O debate foca na transparência e na resolução de disputas globais.
A diretora-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), Ngozi Okonjo-Iweala, convocou os países membros a realizarem uma reforma profunda nas regras do comércio global nesta quinta-feira. Durante a abertura de uma conferência ministerial de quatro dias em Camarões, a líder alertou que a antiga ordem mundial desapareceu definitivamente, após um ano de turbulência marcado por tarifas impostas pelos Estados Unidos e crescentes tensões geopolíticas. > "A ordem mundial e o sistema multilateral que costumávamos conhecer mudaram irrevogavelmente e não os teremos de volta." O encontro em Yaoundé ocorre em um momento de forte preocupação com os impactos do conflito entre Israel e o Irã, além de anos de estagnação em acordos comerciais multilaterais. Diplomatas e autoridades alertaram que, sem um consenso sobre as reformas, as nações podem começar a abandonar o ideal de um sistema baseado em regras para estabelecer suas próprias regulamentações de forma unilateral. Okonjo-Iweala destacou problemas críticos, como a paralisia do mecanismo de solução de controvérsias e a falta de transparência no uso de subsídios. Segundo a diretora, a opacidade gera desconfiança e alimenta suspeitas de comportamentos anticompetitivos, criando um ciclo vicioso que impede o avanço de novas normas e reformas. > "A falta de transparência leva à falta de confiança, e isso gera suspeitas de injustiça e comportamentos anticompetitivos." Documentos internos indicam que, enquanto o Reino Unido, a China e a União Europeia apoiam um plano de trabalho detalhado para as reformas, o governo dos Estados Unidos tem resistido a um cronograma específico. O embaixador da Suíça, Erwin Bollinger, enfatizou que a OMC corre o risco de perder sua atratividade e relevância caso não apresente resultados concretos durante a sessão. Um dos pontos de maior atrito envolve a Índia, que deve se opor aos esforços norte-americanos para estender a proibição global de tarifas sobre o comércio eletrônico transfronteiriço. Nova Déli defende que as nações em desenvolvimento devem ter o direito de impor tais taxas. Em contrapartida, o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, sinalizou que Washington busca uma extensão permanente, e não apenas temporária, da proibição. O ministro do Comércio britânico, Chris Bryant, expressou ansiedade quanto ao futuro do organismo. Ele alertou que a falha em alcançar um entendimento nesta semana pode resultar em um colapso desordenado da OMC, levando diversos atores globais a reescreverem as regras do comércio internacional por conta própria.









