Wall Street aposta em lucros resilientes ante alta do petróleo
O mercado projeta alta de 14% nos lucros do S&P 500 apesar do salto no petróleo. Analistas creem que a resiliência corporativa compensará os riscos geopolíticos.
Investidores em Wall Street demonstram confiança de que os lucros corporativos sólidos sustentarão os preços das ações nos Estados Unidos, apesar da queda recente motivada pelo conflito com o Irã e a consequente disparada nos preços do petróleo. O índice S&P 500 recuou quase 4% desde o início das hostilidades no final de fevereiro, enquanto os preços da commodity saltaram mais de 30%. No entanto, a expectativa de crescimento dos lucros para o primeiro trimestre permanece em 14%, sinalizando resiliência empresarial. A resiliência das companhias norte-americanas diante de riscos geopolíticos é um fator central para o otimismo atual. Segundo Krishna Chintalapalli, gerente de portfólio na Parnassus Investments, as empresas estão se tornando inerentemente mais preparadas para tais cenários. > As empresas com as quais conversamos, estejam elas no meio do boom da IA, ou sejam empresas voltadas para o consumidor como a Walmart Inc., ou empresas industriais como a FedEx Corporation, aceitam que um certo nível de incerteza permanecerá no futuro como algo natural. O aumento nos preços do petróleo bruto, impulsionado pelo estrangulamento da oferta no Estreito de Ormuz, reacendeu temores inflacionários e reduziu as esperanças de cortes nas taxas de juros pelo Federal Reserve ainda este ano. O JPMorgan Chase & Co. estima que cada aumento sustentado de 10% no preço do petróleo pode impactar o PIB em 15 a 20 pontos-base. Se o Petróleo Brent se mantiver em torno de US$ 110 por barril até 2026, as estimativas de lucro por ação podem sofrer ajustes negativos de 2% a 5% ou até mais, caso os preços subam ainda mais. Apesar dessas preocupações, o mercado de aviação tem ajudado a aliviar as tensões. A United Airlines Holdings, Inc. e a Delta Air Lines, Inc. anunciaram recentemente que a demanda continua forte, o que permite o repasse de custos através do aumento das passagens, mesmo com a redução de voos devido aos preços dos combustíveis. Estrategistas de mercado reforçam a visão de que o ciclo econômico não está sob ameaça imediata. Mike Wilson, estrategista-chefe de ações do Morgan Stanley, observou que o crescimento dos lucros futuros permanece robusto, o que diminui a probabilidade de que este pico no petróleo encerre o ciclo de negócios. Paralelamente, o Barclays PLC elevou sua meta de preço para o S&P 500 em 2026, apostando que o setor de tecnologia e o crescimento econômico resiliente superarão os riscos macroeconômicos, incluindo a guerra no Oriente Médio e o estresse nos mercados de crédito privado. A sustentação desse otimismo depende da duração do conflito. Michael Arone, estrategista-chefe de investimentos da State Street Corporation, destaca que o mercado parece convencido de que a situação será resolvida em semanas ou poucos meses. > Os lucros deste trimestre não serão tão impactados, contribuindo para o motivo pelo qual não se viu uma grande reação negativa.










