EUA não devem elevar produção de xisto com barril a US$ 100
Executivos afirmam que a produção só subirá se o barril seguir valorizado por meses. O foco atual das empresas de xisto é o retorno de capital aos acionistas.
Executivos do setor de petróleo reunidos na conferência CERAWeek, em Houston, indicaram que preços acima de US$ 100 por barril não devem desencadear um aumento imediato na produção de xisto nos Estados Unidos. Para que ocorra uma mudança significativa nos planos de extração, seria necessário que os preços permanecessem elevados por mais de um trimestre. Essa postura cautelosa surge em um momento de crise energética global, agravada pelo conflito entre o país norte-americano e o Irã.
Historicamente, os produtores de xisto foram fundamentais para transformar o território americano no maior produtor mundial de petróleo, suprindo rapidamente lacunas de oferta. No entanto, nos últimos anos, empresas como a ConocoPhillips priorizaram o retorno de capital aos acionistas em detrimento da expansão da produção. Nick Olds, vice-presidente executivo de operações onshore da companhia, afirmou que a empresa não considera aumentar a produção no momento e que precisaria ver preços altos sustentados.

A situação geopolítica é crítica, com o fechamento efetivo do Estreito de Ormuz pelo governo iraniano, interrompendo a passagem de 20% do petróleo mundial e elevando os preços globais em cerca de 50%. Apesar disso, muitos operadores já traçaram seus orçamentos anuais e exigem uma perspectiva de longo prazo antes de reajustar investimentos. Mesmo com preços favoráveis, executivos alertam que levaria pelo menos seis meses para que novos barris chegassem ao mercado.
De acordo com a SLB N.V., o ciclo entre a decisão de adicionar sondas e o início efetivo da produção pode levar até um ano. Steve Gassen, vice-presidente executivo da empresa, destacou que a indústria está em fase de avaliação, mas teme que os preços possam retornar ao patamar de US$ 60 ou US$ 65 o barril antes que os investimentos se paguem.
Antes que os operadores tomem a decisão de aumentar a produção, é necessário ter uma visão de preços de petróleo mais altos por mais tempo.
A gigante da Espanha, Repsol, S.A., que possui operações no Texas, Alasca e Golfo do México, também mantém uma postura rígida quanto ao seu planejamento estratégico. Francisco Gea, diretor executivo de exploração e produção da petroleira, reforçou o compromisso com as metas estabelecidas.
Temos um plano e não podemos improvisar devido ao ambiente ou ao preço.
Empresas menores e produtores privados, como a Surge Energy America, sugerem que a retomada de programas de perfuração só ocorreria se os preços se mantivessem estáveis por pelo menos dois trimestres. Enquanto isso, o foco permanece em completar poços já perfurados para aproveitar os preços atuais e reforçar posições de hedge para vendas futuras. A Admiral Permian Resources, uma produtora menor do Texas, reiterou que não acelerará atividades mesmo a US$ 90 o barril, a menos que a sustentabilidade dos preços seja garantida por um período de seis a doze meses.










