Dólar segue firme com foco em tensões no Oriente Médio
A moeda americana opera perto de máximas de 11 meses antes do prazo para o Irã reabrir o Estreito de Ormuz. O mercado também monitora novos dados econômicos.
O dólar americano manteve sua força nesta terça-feira, operando próximo aos níveis mais altos em quase 11 meses. O mercado reflete a cautela dos investidores diante do prazo final estabelecido pelos Estados Unidos para que o Irã reabra o Estreito de Ormuz para a navegação, sob risco de ataques à sua infraestrutura. O conflito no Oriente Médio e o bloqueio deste ponto estratégico elevaram os preços da energia, consolidando a moeda americana como o principal refúgio seguro.

Até o momento, as autoridades iranianas não deram sinais de que aceitarão as exigências do governo americano antes do prazo estipulado para as 20h (horário do leste dos EUA). Chris Turner, chefe de pesquisa cambial do ING, comentou sobre a incerteza do cenário:
Ninguém sabe se o prazo é outra rodada de pressão maximalista da Casa Branca, mas até que haja notícias de um cessar-fogo, ou talvez um adiamento prolongado do prazo atual, o dólar provavelmente permanecerá valorizado.
No mercado de commodities, os contratos futuros do Petróleo Brent oscilaram em torno de US$ 110 por barril, impulsionados pela rejeição iraniana à proposta de cessar-fogo. Thu Lan Nguyen, chefe de pesquisa de câmbio e commodities do Commerzbank, destacou que a liderança iraniana demonstrou ter controle total sobre o estreito e pretende utilizar esse domínio para seus interesses de longo prazo.
O índice do dólar foi registrado em 99,912, após atingir a marca de 100,64 na semana passada, o maior valor desde maio de 2025. Em relação a outras moedas, o par USD/JPY recuou para 159,845, aproximando-se de níveis que motivaram intervenções em 2024. Já o EUR/USD apresentou alta, sendo negociado a US$ 1,1569, enquanto traders precificam possíveis aumentos de juros pelo Banco Central Europeu (BCE) ainda este ano.
Autoridades do BCE reforçaram a prontidão para agir contra a inflação. Dimitar Radev afirmou que a instituição deve estar preparada para elevar as taxas rapidamente se as pressões de preços persistirem. Pierre Wunsch, chefe do banco central da Bélgica, indicou que um movimento em abril não pode ser descartado.
Outras moedas ligadas a commodities, como o AUD/USD e o NZD/USD, que sofreram quedas acentuadas no final de março devido à intensificação dos ataques no Oriente Médio, foram negociadas a US$ 0,694 e US$ 0,57. A Austrália e a Nova Zelândia seguem monitorando os impactos da volatilidade energética em suas economias.
Além das tensões geopolíticas, os investidores aguardam dados econômicos cruciais para prever os próximos passos do Federal Reserve. Bob Savage, chefe global de estratégia de mercado do BNY, observou a mudança de foco dos investidores:
Os mercados estão começando a se concentrar nos riscos para o crescimento, tanto quanto para a inflação, decorrentes da destruição da demanda.
A agenda da semana inclui o índice de preços de Gastos de Consumo Pessoal (PCE) de fevereiro, que será divulgado na quinta-feira, além de pedidos de bens duráveis e a ata da reunião de março do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC), prevista para quarta-feira.











