EUA e China discutem comércio em Paris antes de cúpula

Representantes de Washington e Pequim alinham termos comerciais em Paris antes do encontro presidencial. O diálogo foca em tarifas e no mercado de energia.

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Perspectivas:

Altos funcionários econômicos dos Estados Unidos e da China preparam-se para iniciar uma nova rodada de negociações em Paris neste domingo. O encontro visa ajustar os termos da trégua comercial vigente e pavimentar o caminho para a visita do presidente Donald Trump a Pequim, onde se reunirá com o presidente chinês Xi Jinping no final de março. As discussões, lideradas pelo secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, e pelo vice-premiê chinês, He Lifeng, devem focar na revisão de tarifas, no fluxo de minerais de terras raras e no controle de exportações de alta tecnologia, além da compra de produtos agrícolas americanos. As delegações se reunirão na sede da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). O representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, também participará das conversas, que dão continuidade a uma série de reuniões iniciadas no ano passado para aliviar as tensões entre as duas maiores economias do mundo. No entanto, analistas apontam que as perspectivas de um grande avanço são limitadas, especialmente com a atenção de Washington voltada para o conflito entre Israel e o Irã. Scott Kennedy, especialista do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais, acredita que o objetivo principal é evitar uma nova escalada. > Ambos os lados, creio eu, têm o objetivo mínimo de realizar uma reunião que mantenha as coisas unidas e evite uma ruptura e a reescalada das tensões. Durante a cúpula em Pequim, Trump pode buscar compromissos para a compra de aeronaves da The Boeing Company e maiores volumes de Soja, além de gás natural liquefeito. Contudo, tais acordos podem depender de concessões americanas sobre controles de exportação de tecnologia. A guerra no Oriente Médio também deve ser pauta, visto que a China depende do Estreito de Ormuz para 45% de seu suprimento de petróleo. Para mitigar a volatilidade dos preços, Scott Bessent anunciou recentemente uma isenção de sanções para permitir a venda de petróleo da Rússia que estava retido em navios-tanque. O jornal estatal China Daily reforçou a necessidade de estabilidade no diálogo bilateral. > Em um momento como este, a última coisa que o mundo precisa é de uma guerra comercial entre suas duas maiores economias. A agenda em Paris inclui a revisão do progresso da trégua comercial de outubro de 2025, firmada em Busan, na Coreia do Sul. Embora a China tenha cumprido metas de importação agrícola, setores americanos de aeroespaço e semicondutores ainda enfrentam escassez de minerais críticos, como o ítrio, devido ao domínio chinês na produção de terras raras. Paralelamente, Greer e Bessent introduzem um novo ponto de atrito: uma investigação sob a Seção 301 sobre excesso de capacidade industrial chinesa e práticas de trabalho forçado, o que pode resultar em novas tarifas. Pequim denunciou as sondagens, classificando-as como ações unilaterais e reservando-se o direito de adotar contramedidas.

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