EUA aliviam sanções ao petróleo russo para baixar preços
O governo dos EUA autorizou a compra de petróleo russo retido no mar para estabilizar o mercado global. A medida gerou forte oposição entre aliados europeus.
Os Estados Unidos emitiram uma isenção de 30 dias para que países comprem petróleo e produtos petrolíferos da Rússia que estão retidos no mar devido a sanções. A medida, anunciada pelo Secretário do Tesouro, Scott Bessent, visa estabilizar os mercados globais de energia, afetados pela guerra envolvendo o Irã. No entanto, a decisão gerou críticas imediatas da Alemanha e de outros aliados europeus, que veem o movimento como um sinal errado em meio ao conflito na Ucrânia.
O impacto no mercado foi imediato, com os preços do petróleo recuando na Ásia após o anúncio da isenção. Segundo Kirill Dmitriev, enviado presidencial russo, a medida afeta cerca de 100 milhões de barris de petróleo bruto, volume equivalente a quase um dia de produção global. Empresas do setor marítimo e de infraestrutura, como a Akasaka Diesels Limited, acompanham de perto as movimentações logísticas decorrentes dessa liberação.

O chanceler alemão Friedrich Merz expressou forte desaprovação, afirmando que qualquer flexibilização das sanções é um erro.
Novamente, acreditamos que isso está errado.
A Ministra da Economia alemã, Katherina Reiche, sugeriu que a decisão foi motivada por pressões domésticas americanas. O Primeiro-Ministro da Noruega, Jonas Gahr Stoere, também se opôs à medida, ecoando críticas feitas anteriormente pelo presidente da França, Emmanuel Macron, e pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.
Em contraste, o Kremlin celebrou a decisão. O porta-voz Dmitry Peskov afirmou que os interesses de ambos os países coincidem na busca pela estabilidade do setor energético global.
Sem volumes significativos de petróleo russo, a estabilização do mercado é impossível.
A crise energética foi agravada pelo conflito aéreo entre os americanos e Israel contra o território iraniano, o que paralisou o transporte pelo vital Estreito de Ormuz. A Agência Internacional de Energia descreveu a situação como a maior interrupção no fornecimento de petróleo da história.
A isenção é válida até a meia-noite de 11 de abril em Washington. Analistas sugerem que a Casa Branca está preocupada com o impacto dos preços dos combustíveis nas eleições de meio de mandato de novembro. A decisão ocorreu após diálogos entre Donald Trump e Vladimir Putin, além de visitas diplomáticas envolvendo Jared Kushner e Steve Witkoff.
Na Ásia, a Índia já aparece como o principal destino de cargas em trânsito. O vice-primeiro-ministro da Tailândia, Phipat Ratchakitprakarn, afirmou que o país está pronto para negociar a compra de petróleo bruto russo. O Japão também indicou que considerará a retomada das compras. Por outro lado, o Reino Unido manteve uma postura rígida. O ministro Michael Shanks declarou que o governo britânico não afrouxará as sanções, classificando o momento como crítico na agressão russa contra a Ucrânia.











