Blue Owl gera incerteza no crédito privado americano
A Blue Owl Capital limitou resgates e vendeu ativos. O movimento derrubou ações de gestoras e gerou alertas sobre a liquidez no setor de crédito privado.
O setor de crédito privado, avaliado em US$ 2 trilhões, enfrenta um período de instabilidade desencadeado por turbulências na Blue Owl Capital Inc., uma das maiores credoras do mercado. O cenário, que já lidava com questionamentos sobre transparência e avaliações de ativos, foi agravado pela falência da fornecedora First Brands e por restrições de resgate impostas pela Blue Owl em seus fundos. A recente venda de ações de outras gestoras pela firma e o colapso da Market Financial Solutions no Reino Unido ampliaram o nervosismo sobre os padrões de crédito no setor.

A rápida expansão da indústria nos Estados Unidos tornou-se um desafio, com a State Street Corporation estimando que o mercado total de crédito privado possa ultrapassar US$ 40 trilhões, incluindo crédito de grau de investimento. No entanto, analistas alertam que o aumento da concorrência pode reduzir os retornos históricos. Segundo a Moody's Corporation, a mudança da Blue Owl em relação aos resgates trimestrais tradicionais aumentou a vigilância sobre como esses veículos gerenciam a liquidez diante da crescente participação de investidores de varejo.
O impacto financeiro reflete-se no desempenho das ações das grandes gestoras. Os papéis da Blue Owl acumulam queda de 29% no ano, acompanhados pela Blackstone Inc., que recuou quase 27%, e pela Apollo Global Management, Inc., com baixa superior a 26%. A Ares Management Corporation registrou uma desvalorização de quase 31%. Apesar dos números, lideranças do setor mantêm um discurso de resiliência.
"Entramos em 2026 em uma posição de força, com desempenho sólido em todo o portfólio e um cenário de melhora para o mercado de capitais e fusões e aquisições."
Além das questões de liquidez, o setor enfrenta incertezas sobre as avaliações de empresas de software, impactadas pelo avanço da inteligência artificial. Instituições tradicionais como o JPMorgan Chase & Co. também estão expandindo sua atuação no crédito privado, tendo reservado US$ 50 bilhões para empréstimos diretos. A crescente interconexão entre bancos e fundos privados levanta alertas sobre riscos de contágio, com bancos americanos já tendo emprestado cerca de US$ 300 bilhões para provedores de crédito privado.
"A realidade é que, neste ambiente, à medida que o mundo se torna mais volátil e chegamos ao fim do ciclo, este resultado deve ser esperado."







