Nomeação de Kevin Warsh para o Fed sofre atraso no Senado
A indicação de Kevin Warsh para o Fed sofre atrasos por um bloqueio no Senado. O impasse ocorre enquanto o mandato de Jerome Powell se encerra em maio de 2026.
O presidente Donald Trump ainda não formalizou a indicação de Kevin Warsh para suceder Jerome Powell no comando do Federal Reserve (Fed), o banco central dos Estados Unidos. Embora o anúncio tenha ocorrido há quatro semanas, o atraso no envio da documentação oficial ao Senado é considerado atípico e gera incertezas sobre o processo de sucessão na autoridade monetária.

Desde 2010, apenas dois indicados para cargos no conselho do Fed enfrentaram um hiato tão longo entre o anúncio da Casa Branca e o início formal da confirmação. O impasse atual está ligado à postura do senador republicano Thom Tillis, que prometeu bloquear qualquer nomeação enquanto o Departamento de Justiça (DOJ) mantiver aberta uma investigação contra Powell. O inquérito diz respeito a depoimentos sobre reformas em prédios do banco central.
Tillis classifica a investigação como uma forma de intimidação do governo contra Powell, que tem sido alvo de críticas frequentes por não reduzir as taxas de juros de forma mais agressiva.
\"Parece-me estranho que não tenha havido nenhum movimento de avanço na nomeação de Warsh.\"
A observação de Derek Tang, analista da LH Meyer, destaca a paralisia no Comitê Bancário do Senado. Sem o apoio de Tillis, a pequena maioria republicana no comitê é insuficiente para superar a oposição dos democratas. A Casa Branca, embora não tenha comentado o cronograma, defende que Warsh é altamente qualificado e espera uma confirmação rápida.
A preservação da autonomia do Fed em relação a pressões políticas de curto prazo é considerada fundamental para a estabilidade econômica. O secretário do Tesouro, Scott Bessent, indicou que o Senado está pronto para agir assim que a documentação for entregue, mas o prazo é apertado: o mandato de Powell expira em 15 de maio.
Powell revelou a existência da investigação do DOJ em janeiro, descrevendo-a como parte das ameaças sofridas pela instituição. Recentemente, o banco central teria solicitado à Justiça a anulação de intimações relacionadas ao caso. Além disso, existe uma disputa jurídica envolvendo a governadora Lisa Cook, a quem Trump tenta demitir sob alegações de irregularidades em documentos de hipoteca, caso que agora está na Suprema Corte.
Uma possibilidade que ganha força é a permanência de Powell como governador do Fed até 2028, mesmo após deixar a presidência. Embora incomum, o gesto sinalizaria uma resistência institucional contra as tentativas de interferência do governo, que estabeleceu o apoio a cortes de juros como condição implícita para seus indicados.
Caso Warsh seja confirmado, ele terá o desafio de liderar a política monetária em um ambiente de transição, possivelmente dividindo a mesa de decisões com seu antecessor, caso Powell opte por manter seu assento no conselho.









