Petróleo amplia ganhos com ameaças de Trump ao Irã
O petróleo subiu nesta terça-feira com ameaças de Donald Trump ao Irã. O mercado monitora o prazo para a reabertura do Estreito de Ormuz e as tensões locais.
Os preços do petróleo registraram ganhos nesta terça-feira, impulsionados pelo endurecimento da retórica do governo dos Estados Unidos contra o Irã. O presidente Donald Trump ameaçou adotar medidas mais severas caso o país persista no fechamento do Estreito de Ormuz, um ponto crítico para o suprimento global de energia. O contrato futuro do Brent Crude Oil subiu 0,5%, para US$ 110,34 o barril, enquanto o West Texas Oil avançou 1,1%, atingindo US$ 113,67.

Trump estabeleceu um ultimato para as 20h (horário de Brasília) desta terça-feira, alertando que as instalações iranianas poderiam ser alvos militares se um acordo para a reabertura da via não for alcançado. Em resposta a uma proposta mediada pelo Paquistão, Teerã rejeitou um cessar-fogo imediato, insistindo na necessidade de um fim permanente para a guerra e resistindo à pressão internacional. O bloqueio em Ormuz, iniciado após ataques de Israel em fevereiro, afeta uma rota por onde circula cerca de 20% do petróleo mundial.
Tim Waterer, analista-chefe de mercado da KCM Trade, destacou que o mercado está em estado de alerta máximo diante da proximidade do prazo estabelecido.
A contagem regressiva para o prazo do ultimato de Trump está desempenhando um papel quase tão importante nos mercados de petróleo quanto os próprios fundamentos.
A tensão na região é agravada por novos incidentes. Na segunda-feira, forças do Irã detiveram dois navios de gás natural liquefeito do Catar. Enquanto isso, o Conselho de Segurança da ONU deve votar uma resolução para proteger a navegação comercial, embora o texto tenha sido desidratado após a oposição da China ao uso de força militar. Em outras frentes, explosões foram ouvidas em Damasco, na Síria, resultantes da interceptação israelense de mísseis iranianos. A Arábia Saudita também relatou a destruição de sete mísseis balísticos lançados contra sua região leste, com destroços caindo perto de infraestruturas energéticas.
No mercado físico, os prêmios do petróleo WTI atingiram níveis recordes devido à busca de refinadores asiáticos e europeus por alternativas ao suprimento do Oriente Médio. A estatal saudita Aramco elevou o preço de seu petróleo Arab Light para a Ásia, com um prêmio recorde de US$ 19,50 sobre a média de Omã e Dubai. Adicionalmente, a Rússia informou que drones da Ucrânia atacaram o terminal do Consórcio do Duto Cáspio, responsável por 1,5% da oferta global. Diante deste cenário, a OPEC+ concordou em elevar as cotas de produção em maio, mas o impacto deve ser limitado, já que o fechamento das rotas de exportação impede que os membros aumentem o fornecimento real.









