Petróleo tem maior queda semanal em dez meses após acordo
O petróleo caminha para a maior perda semanal desde junho apesar de ganhos nesta sexta-feira. O recuo de 11% ocorre após o cessar-fogo entre o Irã e os EUA.
Os preços do petróleo estão a caminho de registrar sua maior queda semanal em dez meses, apesar de uma leve recuperação observada nesta sexta-feira. O mercado reage a um cenário de incertezas no fornecimento e aos desdobramentos diplomáticos no Oriente Médio. O Petróleo Brent registrou alta de 0,58%, sendo negociado a US$ 96,48 o barril, enquanto o Petróleo West Texas Intermediate subiu 0,66%, atingindo US$ 98,52. No entanto, ambos os contratos acumulam perdas de aproximadamente 11% a 12% na semana. Este declínio acentuado ocorreu após o Irã e os Estados Unidos concordarem com um cessar-fogo de duas semanas, em uma negociação mediada pelo Paquistão. Apesar do acordo, a tensão permanece elevada, uma vez que o fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz continua severamente restrito, mantendo os preços futuros próximos de US$ 100 e impulsionando os valores no mercado físico para níveis recordes. Atualmente, o tráfego pelo Estreito de Ormuz representa menos de 10% dos volumes normais, com Teerã alertando embarcações para permanecerem em suas águas territoriais. O analista Ole Hansen, do Saxo Bank, destacou a gravidade da situação operacional. > O Estreito de Ormuz permanece efetivamente restrito e a operação do sistema global de petróleo está longe do normal, com os mercados futuros precificando uma normalização parcial enquanto o mercado físico reflete uma escassez aguda. O governo iraniano manifestou o desejo de cobrar taxas para a passagem de navios pelo estreito como parte de um acordo de paz, uma proposta que enfrenta resistência de líderes ocidentais e da agência de navegação da ONU. A via marítima, crucial para o transporte de óleo e gás, está virtualmente paralisada desde o início do conflito em 28 de fevereiro, quando ataques aéreos foram lançados contra o território iraniano. A pressão sobre a oferta aumentou após relatos da agência estatal da Arábia Saudita indicarem que ataques a instalações de energia reduziram a capacidade de produção do reino em cerca de 600 mil barris por dia. Além disso, o fluxo pelo oleoduto Leste-Oeste foi reduzido em 700 mil barris por dia. De acordo com dados do banco de investimento JPMorgan Chase & Co, cerca de 50 ativos de infraestrutura no Golfo foram danificados por ataques de drones e mísseis nas últimas seis semanas, resultando na interrupção de aproximadamente 2,4 milhões de barris por dia em capacidade de refino. No final do pregão de sexta-feira, os preços reduziram parte dos ganhos após o Líbano sinalizar intenção de participar de reuniões em Washington com representantes dos EUA e de Israel. O objetivo do encontro é discutir um cessar-fogo na guerra paralela travada contra os aliados do Hezbollah no país.








