Acordo para gasoduto Nigéria-Marrocos será assinado em 2026
O acordo governamental para o gasoduto de 25 bilhões de dólares será assinado este ano. O projeto de 6.900 km deve iniciar o fornecimento de gás em 2031.
O governo da Nigéria e do Marrocos devem assinar ainda este ano o acordo intergovernamental (IGA) para a construção de um gasoduto orçado em US$ 25 bilhões. O projeto, conhecido como Gasoduto Africano Atlântico, terá uma extensão de 6.900 quilômetros em uma rota híbrida, alternando entre trechos marítimos e terrestres, com uma capacidade máxima de transporte de 30 bilhões de metros cúbicos anuais.
Amina Benkhadra, diretora da agência de hidrocarbonetos e minas do Marrocos (ONHYM), informou que cerca de 15 bilhões de metros cúbicos serão destinados ao abastecimento do mercado marroquino e ao suporte de exportações para a Europa. O empreendimento conta com o apoio da Comunidade Econômica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) e já concluiu as fases de estudo de viabilidade e de projeto de engenharia de front-end (FEED).
Após a assinatura do acordo, será estabelecida uma alta autoridade para o gasoduto na Nigéria, reunindo representantes ministeriais de cada um dos 13 países participantes para garantir a coordenação política e regulatória. Paralelamente, uma empresa de projeto será criada no Marrocos, funcionando como uma joint venture entre a ONHYM e a Nigerian National Petroleum Company (NNPC), para liderar a execução, o financiamento e a fase de construção.
O gasoduto visa impulsionar a integração econômica na África Ocidental, expandindo a geração de eletricidade e facilitando o desenvolvimento industrial e mineiro. Além disso, a infraestrutura ajudará o Marrocos a se posicionar como uma ponte energética estratégica entre o continente africano e o europeu.
O cronograma prevê que os segmentos iniciais conectem o território marroquino aos campos de gás na Mauritânia e no Senegal. Mais ao sul, o projeto ligará o Gana à Costa do Marfim, antes que um segmento final conecte Gana aos campos de gás nigerianos. A expectativa é que o fornecimento de gás das fases iniciais comece em 2031.
Sobre a estratégia de implementação, Benkhadra destacou a flexibilidade do modelo de negócio:
O projeto não depende de uma única decisão final de investimento global, pois cada segmento foi projetado para ser desenvolvido como um sistema independente para permitir a geração antecipada de valor.
Embora compromissos finais de financiamento ainda não tenham sido garantidos, a estrutura financeira será liderada pela empresa do projeto, que mobilizará uma combinação de capital próprio e dívida. Segundo a executiva, a escala do empreendimento, sua estrutura faseada e o posicionamento estratégico têm atraído forte interesse de investidores internacionais.






