Lindt corta meta de vendas e ações operam em forte baixa
A Lindt reduziu a projeção de vendas para 2026 citando baixo consumo. O anúncio derrubou as ações da empresa, apesar da alta nos lucros do último exercício.
A fabricante de chocolates de luxo sediada na Suíça, Chocoladefabriken Lindt & Sprüngli AG, reduziu sua projeção de crescimento de vendas para 2026 nesta terça-feira. A decisão foi motivada por volumes de vendas fracos e um sentimento retraído dos consumidores, o que resultou em uma queda expressiva no valor de suas ações no mercado financeiro. A companhia revisou sua expectativa de crescimento orgânico — que desconsidera variações cambiais — para uma faixa entre 4% e 6% neste ano. O guidance anterior previa uma expansão de 6% a 8% para 2026 e períodos subsequentes. Em resposta, as ações nominativas da empresa, que garantem direito a voto, registraram queda de 6,2%. Já os certificados de participação, identificados como CHOCOLADEFABRIKEN LINDT-PC, recuaram 8,2%, registrando seu pior desempenho diário desde março de 2009.

Apesar do ajuste nas perspectivas futuras, a Lindt apresentou um crescimento de cerca de 10% no lucro operacional anual de 2025, superando as projeções do mercado. Esse desempenho foi sustentado pela capacidade da empresa de repassar a alta nos preços do cacau para o consumidor final. O lucro antes de juros e impostos (EBIT) atingiu 971 milhões de francos suíços (aproximadamente US$ 1,25 bilhão), enquanto analistas previam uma média de 968,9 milhões de francos. Em 2025, o crescimento orgânico das vendas foi de 12,4%, impulsionado significativamente por um reajuste de 19% nos preços dos produtos. Como resultado dos lucros obtidos, a empresa planeja propor o pagamento de dividendos de 1.800 francos por ação nominativa e 180 francos por certificado de participação.
No mercado de commodities, os preços do cacau, que registraram fortes altas entre 2024 e 2025, iniciaram uma trajetória de queda, atingindo as mínimas em três anos. Contudo, operadores do setor no Reino Unido indicaram na última semana que já existem sinais de estabilização nos preços. A redução nos custos de matéria-prima é vista por analistas que acompanham o setor, inclusive em locais de reporte como a Polônia, como um fator que deve beneficiar as operações da fabricante ao longo de 2026.








