Itália mantém déficit acima do teto da União Europeia
O déficit italiano de 3,1% do PIB em 2025 impede a saída antecipada do processo de déficit excessivo da UE. O governo também reduziu a previsão de crescimento.
A Itália registrou um déficit orçamentário de 3,1% do Produto Interno Bruto (PIB) no ano passado, frustrando as expectativas de Roma de sair antecipadamente do procedimento de déficit excessivo da União Europeia. Os dados, confirmados pelo instituto de estatísticas ISTAT nesta quarta-feira, colocam o país ligeiramente acima do teto de 3% estabelecido pelo bloco econômico.
Com a permanência no procedimento disciplinar, a primeira-ministra Giorgia Meloni terá menos margem de manobra para gastos públicos antes das eleições previstas para 2027. A situação é agravada pela necessidade de revisar para baixo as projeções de crescimento econômico, refletindo o impacto negativo do conflito envolvendo os Estados Unidos, Israel e o Irã, que tem elevado os custos de energia globalmente.

O governo deve reduzir sua estimativa de crescimento do PIB para este ano de 0,7% para uma faixa entre 0,5% e 0,6%. Para o próximo ano, a perspectiva deve cair de 0,8% para algo entre 0,6% e 0,7%. Embora a terceira maior economia da zona do euro tenha se recuperado com força após a pandemia, impulsionada por incentivos estatais à construção, o ritmo voltou a desacelerar, mantendo o país entre os desempenhos mais fracos da região.
Mesmo que as previsões do governo sejam alcançadas, a Itália enfrentará cinco anos consecutivos de crescimento abaixo de 1% entre 2023 e 2027, apesar do fluxo constante de bilhões de euros dos fundos de recuperação da UE. Essa fraqueza econômica pressiona as finanças públicas. Na última semana, o Fundo Monetário Internacional previu que a Itália ultrapassará a Grécia este ano, registrando a maior relação dívida/PIB da zona do euro, com projeções de 138,4% e 136,9%, respectivamente.
O gabinete italiano se reúne para discutir o Documento de Economia e Finanças (DEF), que atualizará as estimativas plurianuais para o déficit, a dívida e o crescimento. Roma projeta que o déficit caia para cerca de 2,8% em 2026 e 2,6% em 2027. Apesar dessa trajetória de redução, a saída do procedimento de déficit excessivo não deve ocorrer antes de meados de 2027, desde que Bruxelas se convença de que a melhoria nas contas é permanente.










