Irã bloqueia Estreito de Ormuz e afeta mercado de petróleo
O Irã fechou a principal rota marítima de energia após ataques de Israel e dos Estados Unidos. O tráfego no Estreito de Ormuz caiu 97 por cento desde fevereiro.
O Irã cumpriu uma ameaça de longa data e fechou efetivamente o Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais vitais do mundo, em retaliação aos ataques realizados pelos Estados Unidos e por Israel. Esta ação interrompeu o fluxo de cerca de um quinto do suprimento global de petróleo e gás natural liquefeito (GNL), gerando preocupações imediatas sobre uma crise energética global. Segundo dados das Nações Unidas, o tráfego de embarcações na região caiu 97% desde o início das hostilidades em 28 de fevereiro.

A decisão de fechar o estreito ocorre em um momento de tensão máxima, após a morte do líder supremo iraniano. Analistas apontam que, embora o fechamento tenha sido historicamente considerado uma medida de último recurso, a percepção de uma ameaça existencial mudou a estratégia de Teerã. Em 2011, um comandante da Guarda Revolucionária já havia alertado sobre a facilidade da operação.
"Cortar o estreito seria mais fácil do que beber um copo de água."
A passagem estreita entre o território iraniano e Omã é a única via marítima para exportadores de energia como Kuwait, Iraque, Catar e os Emirados Árabes Unidos. O aumento súbito nos preços do petróleo evoca o cenário de crise de custo de vida observado após a invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022. Além disso, o bloqueio ameaça a segurança alimentar, já que 33% dos fertilizantes mundiais passam por Ormuz. Empresas que operam no setor de infraestrutura e energia, como a Pacific Gas & Electric Co., acompanham de perto a volatilidade dos mercados internacionais.
A dificuldade em garantir a segurança da rota reside na geografia e nas táticas iranianas. Com canais de navegação de apenas duas milhas náuticas de largura, os navios ficam vulneráveis a ataques de lanchas rápidas, minas e drones. O governo dos Estados Unidos avalia a escolta de navios, mas a sustentabilidade de tal operação por meses exigiria recursos massivos. No Reino Unido, o governo discute opções com líderes da Alemanha e da Itália.
Enquanto isso, a França planeja uma missão conjunta com a Índia e outros estados asiáticos, embora a operação dependa de uma futura estabilização do conflito. Kevin Rowlands, do Royal United Services Institute, enfatiza a necessidade de proteção.
"O mundo precisa que o petróleo flua do Golfo e, por isso, há um planejamento em andamento para implementar medidas de proteção."
O precedente estabelecido no Iêmen serve de alerta, onde os Houthis conseguiram interromper o tráfego no Mar Vermelho por anos, apesar da presença de forças internacionais. Isso forçou gigantes da navegação da Dinamarca a desviar rotas para o sul da África. Embora a Arábia Saudita tenha buscado alternativas via oleodutos, estas permanecem vulneráveis, e o sucesso de missões anteriores contra a pirataria na Somália não garante êxito contra o poderio militar iraniano.










