Índia monitora oferta de energia para garantir consumo
Nova Deli monitora dados de energia para garantir o suprimento interno após tensões em Ormuz. O país prioriza a demanda local e enfrenta escassez de gás.
A Índia, o terceiro maior importador e consumidor de petróleo do mundo, está enfrentando sérios impactos decorrentes do conflito entre os Estados Unidos, Israel e o Irã. A instabilidade geopolítica prejudicou o transporte de energia pelo Estreito de Ormuz, uma rota vital para o abastecimento global. Diferente de outras nações, o governo indiano não proibiu as exportações de combustíveis refinados, mas ordenou que as empresas do setor compartilhem dados detalhados de importação, exportação e produção com uma agência central para garantir a segurança energética doméstica. Nova Délhi também sinalizou que o atendimento à demanda de países vizinhos ocorrerá apenas após a avaliação das necessidades locais.

O país se posiciona como o quarto maior refinador de petróleo do mundo, com 23 refinarias que processam conjuntamente cerca de 5,6 milhões de barris por dia. O setor privado exerce um papel fundamental, com a Reliance Industries Ltd e parcerias envolvendo a Hindustan Petroleum Corporation Limited controlando cerca de 40% da capacidade total de refino. No entanto, a produção nacional de empresas como a Oil India Limited representa apenas uma fração da demanda total, o que obriga a nação a importar mais de 90% de suas necessidades de petróleo e metade de suas necessidades de gás natural.
No segmento de gás, a situação é crítica. O Catar, segundo maior fornecedor de gás natural liquefeito (GNL) para o mercado indiano, declarou força maior em suas entregas. Como reflexo, importadores e fornecedores como a Petronet LNG Limited e a GAIL (India) Limited também invocaram cláusulas de força maior para indústrias locais. O governo federal utilizou poderes de emergência para ordenar que as refinarias maximizem a produção de gás liquefeito de petróleo (GLP) e cortem as vendas de gás para indústrias, visando evitar o desabastecimento para os 333 milhões de lares que utilizam o GLP como combustível de cozinha.
No varejo, a distribuição de combustíveis é amplamente dominada por varejistas estatais, incluindo a Bharat Petroleum Corporation Limited e a Indian Oil, que gerenciam a maioria dos postos de serviço do país. Essas empresas adquirem produtos de refinarias como a Chennai Petroleum Corporation Limited para suprir o mercado. Apesar dos desafios, o governo mantém a posição de que possui estoques suficientes de gasolina e óleo diesel para a demanda imediata, embora recomende que os consumidores evitem compras motivadas por pânico e busquem alternativas como o gás natural canalizado.








