Bolsas sobem com sinais de alívio no Oriente Médio
Os mercados globais subiram nesta terça-feira com sinais de alívio no conflito no Oriente Médio. O índice STOXX 600 encerrou março com queda de 8 por cento.
Os mercados globais de ações e títulos registraram uma forte recuperação nesta terça-feira, impulsionados pela especulação de uma possível desescalada no conflito no Oriente Médio. O movimento ocorre após um período de intensa volatilidade que gerou o maior aumento mensal nos preços globais do petróleo na história. Apesar do rali recente, os ativos financeiros encerram um mês marcado por temores de inflação persistente e estagnação econômica, refletindo a cautela dos investidores diante das interrupções no fornecimento de energia. O índice pan-europeu STOXX 600, por exemplo, recuou 8% em março, seu pior desempenho mensal em quase quatro anos.A recuperação foi alimentada por relatos de que o governo do Irã estaria disposto a buscar o fim das hostilidades que já duram um mês. Paralelamente, informações de que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, estaria inclinado a encerrar a campanha militar — mesmo com o Estreito de Ormuz parcialmente bloqueado — trouxeram alívio momentâneo. Contudo, a retórica de Washington permanece ambivalente, com ameaças de ataques a instalações de energia iranianas caso a via marítima, por onde passa um quinto do petróleo mundial, não seja totalmente liberada. > "Os mercados de ações estão acreditando na palavra do governo dos EUA de que eles vão acabar com a guerra."No setor de commodities, os contratos futuros do petróleo Brent para maio fecharam em alta de 4,94%, a US$ 118,35 por barril, enquanto o contrato para junho apresentou queda. O impacto nos preços da energia foi sentido diretamente pelos consumidores e refletido em instrumentos como o United States Oil Fund, LP e o United States Brent Oil Fund, LP. Na segunda-feira, o preço médio da gasolina no varejo americano atingiu a marca de US$ 4 por galão, intensificando as pressões inflacionárias.O conflito, que teve início com ataques coordenados dos EUA e de Israel contra o território iraniano no final de fevereiro, elevou os riscos de uma recessão global. Em Wall Street, os principais índices reagiram positivamente às notícias de desescalada: o Dow Jones subiu 2,49%, o S&P 500 avançou 2,91% e o Nasdaq Composite saltou 3,83%. Analistas apontam que o mercado estava excessivamente sobrevendido, o que abriu espaço para um rali de alívio. > "O que vimos do ponto de vista das mensagens do governo é um pequeno indício de que eles podem começar a reduzir ou mudar de direção."Apesar do otimismo de curto prazo, os fundamentos econômicos mostram sinais de desgaste. Dados do governo americano mostraram que a abertura de vagas de emprego caiu mais do que o esperado em fevereiro, atingindo o menor nível em seis anos. Na zona do euro, a inflação superou a meta de 2% do Banco Central Europeu, pressionada pelo choque energético. No mercado de renda fixa, os títulos do Tesouro dos EUA atraíram demanda, reduzindo os rendimentos após um mês de vendas intensas. Na Alemanha, o rendimento dos títulos de dois anos caiu 3,3 pontos-base, para 2,588%. > "Se o Estreito de Ormuz permanecer fechado pelas próximas duas semanas, acho que aumentaremos nossas probabilidades de recessão em nossa análise de cenário."No mercado de câmbio, o índice do dólar caiu 0,69%, mas ainda caminha para fechar o mês com ganhos. O iene japonês subiu 0,62% em relação ao dólar, após o ministro das Finanças do Japão declarar que o governo está pronto para agir contra a volatilidade excessiva da moeda. Já o ouro à vista registrou alta de 3,52%, cotado a US$ 4.669,09 a onça, embora o SPDR Gold Shares ainda registre uma desvalorização acumulada superior a 10% no mês.











