Conflito no Irã pressiona finanças e moeda do Egito
A guerra no Irã elevou custos de energia e causou a saída de investidores no Egito. O governo agora tenta conter a inflação e a forte queda da moeda nacional.
O conflito envolvendo os Estados Unidos e Israel contra o Irã está exercendo uma pressão significativa sobre as finanças já precárias do Egito. O aumento dos custos de energia, obstáculos às exportações e a saída de investidores estrangeiros do mercado de títulos públicos são os principais fatores de risco apontados por analistas e dados oficiais. O impacto é especialmente agudo para a nação mais populosa do mundo árabe, com quase 120 milhões de habitantes, considerada pelas potências ocidentais como um pilar de estabilidade regional. Antes mesmo do atual conflito, o país enfrentava um endividamento elevado, com o pagamento de juros consumindo cerca de metade dos gastos governamentais, e uma inflação que atingiu o pico de 38% em setembro de 2023. O governo egípcio depende de investimentos estrangeiros de curto prazo em títulos do tesouro para financiar seu déficit orçamentário e custear importações essenciais, como gás e Trigo. Até o final de setembro, investidores estrangeiros detinham cerca de US$ 45,7 bilhões em letras do tesouro egípcio. Estimativas de banqueiros indicam que a saída de capital desde o início das hostilidades, em 28 de fevereiro, totalizou entre US$ 5 bilhões e US$ 8 bilhões. Embora esses números sejam inferiores aos US$ 20 bilhões perdidos no início da pandemia de COVID-19 ou na invasão da Ucrânia pela Rússia, a pressão desvalorizou a libra egípcia de 47 para mais de 52 por dólar. Hany Aboul Fotouh, analista bancário e fundador da Alraya Consulting, alertou sobre as consequências de uma crise prolongada: > Um conflito prolongado pode estimular a inflação ao elevar os custos de transporte, seguro e energia, podendo levar a libra a ultrapassar os 55 por dólar. O primeiro-ministro Mostafa Madbouly buscou tranquilizar a população, afirmando que o país está garantindo suas necessidades energéticas para evitar apagões que ocorreram no passado. No entanto, a interrupção no fornecimento de gás israelense e a alta nos preços globais forçaram o governo a elevar os preços domésticos dos combustíveis. O banco de investimento Morgan Stanley estima que o confronto e os problemas de trânsito podem aumentar a conta de importação de energia do país em até US$ 2,4 bilhões no restante deste ano fiscal. Além disso, as exportações foram prejudicadas pelo encarecimento do frete e do seguro. Dados internos do Ministério das Finanças revelaram que as declarações de exportação caíram drasticamente nos primeiros dias da guerra. As remessas para a Arábia Saudita e para os Emirados Árabes Unidos, que juntos representam mais de um terço das exportações egípcias, registraram quedas de 83% e 90%, respectivamente. Mohamed Fouad, economista e parlamentar, resumiu a situação de dependência de apoios externos: > Agora, economicamente, tudo o que podemos fazer é apenas ganhar mais tempo. Outras fontes vitais de moeda forte, como o turismo e as taxas de trânsito do Canal de Suez, também estão sob risco. Embora o país tenha recebido apoio externo recente, a duração do conflito ameaça criar um ciclo de fuga de capitais e cautela dos investidores em relação aos mercados emergentes da região.











