Drones ucranianos impactam produção russa de fertilizantes
Ataques de drones ucranianos reduziram em 5% a capacidade russa de fertilizantes nitrogenados. O setor enfrenta ainda gargalos logísticos no Estreito de Ormuz.
A indústria de fertilizantes nitrogenados da Rússia enfrenta desafios crescentes devido aos ataques de drones realizados pela Ucrânia. Segundo Andrei Melnichenko, fundador da produtora EuroChem, a situação compromete a capacidade produtiva russa em um momento de incerteza no comércio global. A escassez de oferta e o aumento dos preços, agravados pelo bloqueio do Estreito de Ormuz — por onde passa cerca de um terço do comércio mundial de fertilizantes —, tornaram-se preocupações centrais para a segurança alimentar global. A Rússia detém aproximadamente um quinto do comércio global do setor, mas limitações de capacidade, restrições internas de exportação e os recentes ataques a grandes unidades industriais dificultam a expansão da produção. Melnichenko afirmou que o impacto dessas ações tem sido significativo para o setor. > Eventos bem conhecidos que ocorrem no território do nosso país estão levando ao aumento de ataques de drones contra empresas russas de fertilizantes. Um dos episódios mais graves ocorreu em 25 de fevereiro, quando um ataque atingiu a unidade de Dorogobuzh, uma das maiores fábricas do país e de propriedade da Acron PJSC. O incidente resultou na morte de sete pessoas e paralisou temporariamente cerca de 5% da capacidade total de produção russa. A planta de Dorogobuzh é responsável por 11% da produção de nitrato de amônio do país e 9% da produção de fertilizantes NPK. A expectativa é que a unidade retome as operações em maio. Melnichenko destacou que, embora os preços dos três principais tipos de fertilizantes tenham subido, o fechamento do Estreito de Ormuz não impactou o comércio de potássio. Já as interrupções no comércio de fosfato são vistas como temporárias, à medida que produtores do Oriente Médio redirecionam cargas para portos fora do Golfo Pérsico. O bilionário estimou que esse redirecionamento ocorrerá de forma mais célere do que os seis meses necessários para que os produtores russos migrassem de portos europeus para terminais locais após a imposição de sanções ocidentais. O setor de fertilizantes nitrogenados derivados de Gás Natural foi o mais prejudicado, uma vez que grande parte da produção global depende do gás extraído de jazidas próximas ao Golfo. Diante desse cenário de restrições, o governo russo, que controla até 40% do comércio global de nitrato de amônio, anunciou em 21 de março a suspensão das exportações deste fertilizante específico por um período de um mês.







