Colômbia eleva juros para 11,25% e governo deixa diretoria
O Banco Central da Colômbia elevou os juros para 11,25% nesta terça-feira. O governo retirou-se da junta por discordar do impacto da medida na economia local.
O banco central da Colômbia elevou a taxa básica de juros para 11,25% nesta terça-feira, marcando o segundo aumento consecutivo da taxa de referência. A decisão ocorreu em meio a um cenário de forte tensão política, com o ministro das Finanças, Germán Ávila, anunciando a retirada do governo do conselho da instituição após divergências sobre a condução da política monetária para conter a inflação. O aumento de 100 pontos-base foi aprovado por quatro dos sete membros do conselho, enquanto dois integrantes votaram por uma redução de 50 pontos-base e um defendeu a manutenção da taxa. Leonardo Villar, chefe do banco central, detalhou que a medida visa alinhar a inflação à meta de longo prazo de 3% até o próximo ano. Ávila, que representa o governo no conselho, classificou o ajuste como desproporcional e afirmou que a retirada do governo permanecerá até que os formuladores de políticas compreendam a necessidade de coerência com a realidade econômica e social do país. Segundo o ministro, juros mais altos podem impulsionar a inflação e demonstram uma preocupação excessiva com o setor financeiro em detrimento dos cidadãos comuns. > "O ministério tomou a decisão de se retirar da reunião do conselho realizada hoje pelo banco central e de estabelecer claramente uma distância significativa entre o governo e o banco central." O ministro não compareceu à coletiva de imprensa habitual ao lado de Villar. Em resposta, o chefe do banco central rejeitou as acusações de que os membros do conselho estariam agindo em interesse próprio e enfatizou que a saída do governo vai contra as normas constitucionais. > "Esta decisão só será reconsiderada na medida em que o banco central compreenda que deve haver coerência com a realidade econômica do país e com a realidade social do país." A pressão política sobre a autoridade monetária tem sido constante, com o presidente Gustavo Petro defendendo que cortes nas taxas seriam mais benéficos para o crescimento. No entanto, o conselho tem resistido, citando pressões inflacionárias internas, como o aumento de 23% no salário mínimo e a expansão dos gastos públicos. Em fevereiro, a nação registrou uma inflação anual de 5,29%, ainda acima da meta oficial. Além dos fatores domésticos, o cenário global traz incertezas significativas. Analistas apontam que o conflito envolvendo o Irã no Oriente Médio pode impactar os preços dos combustíveis e fertilizantes, produtos que o país importa em grandes volumes. Embora a alta nos preços do petróleo possa favorecer a balança comercial, o encarecimento de insumos básicos ameaça intensificar a pressão sobre os preços ao consumidor ao longo deste ano.










