China amplia investimentos no mercado de consumo brasileiro

A rede Mixue inaugura hoje sua primeira loja em São Paulo. O aporte faz parte de uma nova onda de investimentos chineses focada no mercado de consumo local.

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Perspectivas:

A chegada da rede chinesa de sorvetes Mixue à Avenida Paulista, em São Paulo, simboliza uma nova fase da expansão global da marca no Brasil. Com um número de lojas que já supera o da STARBUCKS CORP e do MCDONALD'S CORP, a Mixue marca sua entrada na América do Sul em meio a uma nova onda de investimentos da China. Diferente de ciclos anteriores, focados em grandes projetos de infraestrutura como usinas hidrelétricas e petróleo, as empresas chinesas agora buscam conquistar os mais de 200 milhões de consumidores brasileiros. Esse movimento ocorre em um contexto onde Pequim busca diversificar seus mercados externos diante das barreiras comerciais crescentes nos Estados Unidos. O investimento direto chinês no território brasileiro dobrou para US$ 4,2 bilhões em 2024, distribuídos em 39 projetos, consolidando o país como o terceiro maior destino global desses aportes. A Mixue planeja investir aproximadamente R$ 3 bilhões para expandir sua operação de chás e sorvetes, com a meta de abrir entre 500 e 1.000 unidades até 2030. A aceitação das marcas chinesas pelos brasileiros, que valorizam a competitividade em preço e qualidade, tem impulsionado o setor. Bianca Gunes, consumidora local, resume essa percepção: > "Uma vez que você começa a comprar produtos chineses, é muito difícil voltar para outros por causa do valor pelo dinheiro, da qualidade e de como eles se destacam em termos de design e entrega." No setor de tecnologia, a Huawei reforçou sua presença com a abertura de sua primeira loja física em São Paulo no ano passado. Já no mercado automotivo, a GREAT WALL MOTOR CO LTD-H e a BYD CO LTD-H adquiriram fábricas de concorrentes ocidentais para produzir veículos elétricos e híbridos. A GWM assumiu uma antiga unidade da MERCEDES-BENZ GROUP AG em São Paulo, prevendo um investimento de R$ 10 bilhões ao longo de uma década. O fortalecimento dos laços entre Brasília e Pequim é visto como um facilitador fundamental. Alexandre Baldy, vice-presidente sênior da BYD, destacou a influência política na decisão da empresa: > "O presidente convenceu nosso CEO de que o Brasil estaria aberto ao nosso investimento." Além disso, o governo brasileiro busca parcerias em áreas como saúde e inteligência artificial, com missões oficiais recentes a centros tecnológicos chineses. No comércio eletrônico, enquanto consumidores já estão habituados a plataformas como o AliExpress, do ALIBABA GROUP HOLDING LTD, e a Shein, novos competidores surgem. A Meituan planeja investir US$ 1 bilhão até 2030 para entrar no mercado de delivery, desafiando a AMAZON.COM INC e o iFood, que pertence à PROSUS NV, sediada nos Países Baixos.

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