China paga mais por petróleo iraniano após isenção dos EUA
A China enfrenta preços elevados pelo petróleo do Irã após isenção de sanções dos EUA. Refinarias independentes compram 80% das exportações iranianas.
A China consolidou sua posição como a principal importadora mundial de petróleo bruto, mantendo-se como a maior compradora de óleo do Irã nos últimos anos. No entanto, o país enfrenta agora uma nova dinâmica de mercado após os Estados Unidos emitirem uma isenção de sanções de 30 dias sobre o produto iraniano, o que deve acirrar a competição e elevar os preços. Pequim, que também lidera as compras de petróleo da Venezuela e figura como um dos principais destinos das exportações da Rússia, tem aproveitado o fornecimento desses países sob sanções ocidentais para economizar bilhões de dólares em sua conta de importação de energia. Segundo dados da consultoria Kpler para 2025, a China absorve mais de 80% de todo o petróleo embarcado pelo Irã. No último ano, o volume médio importado foi de 1,38 milhão de barris por dia (bpd), o que corresponde a aproximadamente 13,4% do total de 10,27 milhões de bpd que o país recebe via transporte marítimo. O perfil dos compradores chineses é composto majoritariamente por refinarias independentes, conhecidas como "teapots", concentradas na província de Shandong. Essas empresas operam com margens estreitas e são atraídas pelo preço reduzido do petróleo iraniano em comparação com barris de fontes não sancionadas. Por outro lado, as grandes petrolíferas estatais chinesas têm se mantido afastadas dessas transações desde meados de 2018. Em termos de precificação, o Petróleo Brent serve como referência para os descontos aplicados. O tipo Iranian Light tem sido negociado com descontos que variam entre 8 e 10 dólares por barril em relação ao Brent, oferecendo uma vantagem competitiva significativa sobre o petróleo de Omã. Apesar da pressão de Washington, que reinstituiu sanções contra Teerã e penalizou refinarias independentes, o fluxo comercial persiste. Para mitigar riscos, o petróleo iraniano é frequentemente reetiquetado por intermediários como se fosse originário da Malásia ou da Indonésia. > Pequim rejeita sanções unilaterais e defende seu comércio com o Irã como legítimo. Embora as práticas de transbordo e reetiquetagem ocultem a origem real nos dados oficiais da alfândega chinesa, a dependência de Pequim em relação ao petróleo iraniano continua sendo um pilar fundamental de sua estratégia de segurança energética e economia de custos.











