Canadá perde 83.900 empregos e desemprego sobe para 6,7%
O Canadá perdeu 83.900 empregos em fevereiro e a taxa de desemprego subiu para 6,7%. O recuo foi maior que o esperado e reflete o impacto de tarifas comerciais.
O mercado de trabalho no Canadá registrou uma retração severa e inesperada em fevereiro, com a perda líquida de 83.900 postos de trabalho. Segundo dados da Statistics Canada divulgados nesta sexta-feira, a taxa de desemprego subiu para 6,7%, superando as projeções de analistas que previam a criação de 10.000 vagas e uma taxa de 6,6%.
Este declínio é o mais acentuado em quase 17 anos, desconsiderando os meses de isolamento durante a pandemia. No mês anterior, a economia havia perdido 24.800 empregos, com a taxa de desemprego em 6,5%. Com as perdas de janeiro e fevereiro, o país eliminou um total de 109.000 postos, aproximando-se de anular os ganhos de 189.000 empregos registrados entre setembro e dezembro passados.

A fragilidade do setor laboral reflete o impacto de tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos em setores estratégicos como aço, automóveis, madeira e cobre. O Banco do Canadá e especialistas alertam que novas demissões podem ocorrer à medida que empresas suspendem investimentos e anunciam cortes preventivos.
O impacto foi sentido de forma generalizada entre as faixas etárias. O desemprego entre jovens subiu para 14,1% em fevereiro, aproximando-se do pico registrado em setembro do ano passado. Até mesmo a faixa etária principal, entre 25 e 54 anos, teve um declínio de 37.000 postos, o maior recuo desde janeiro de 2022. A redução foi liderada pelo setor privado, com 72.600 cortes, e por vagas de tempo integral, que diminuíram em 108.400. O setor público também registrou uma baixa de 17.100 cargos.
Setorialmente, a produção de bens — que inclui subsetores altamente expostos às tarifas comerciais — perdeu 27.900 empregos. Já o setor de serviços, tradicionalmente mais resiliente, enfrentou uma queda ainda maior, de 56.200 postos. Apesar da retração no emprego, os salários médios por hora de funcionários permanentes subiram nove pontos percentuais, atingindo 4,2%, o nível mais alto desde outubro de 2024, o que representa um desafio adicional para os esforços do banco central em manter a inflação sob controle.







