BC descarta teto de juros no cartão e foca em alternativas
Gabriel Galipolo afirmou que o controle de preços pode reduzir a oferta de crédito no país. O BC estuda medidas para aliviar as dívidas das famílias brasileiras.
O Banco Central do Brasil manifestou oposição ao estabelecimento de tetos para as taxas de juros do cartão de crédito, embora esteja explorando caminhos alternativos para facilitar o acesso dos consumidores ao crédito. A declaração foi feita pelo governador da instituição, Gabriel Galipolo, nesta quinta-feira, após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva solicitar medidas para aliviar o endividamento das famílias brasileiras. O presidente, que busca a reeleição em outubro, encarregou o recém-nomeado Ministro da Fazenda, Dario Durigan, de propor alternativas para mitigar o pagamento de dívidas, apontando uma desconexão entre o desempenho econômico sólido do país e a situação financeira das famílias endividadas. Pesquisas de opinião recentes mostram Lula e o senador Flávio Bolsonaro tecnicamente empatados em um eventual segundo turno na corrida presidencial.

Durante uma coletiva de imprensa, Galipolo explicou que a dívida das famílias no país é impulsionada principalmente pelos saldos do crédito rotativo, que apresentam taxas de juros superiores a 400% ao ano quando as faturas não são pagas integralmente. No entanto, o governador sinalizou sua resistência ao controle de preços.
Sempre ressalto que o controle de preços tende a restringir também a oferta, podendo acabar piorando a situação, pois quem já está endividado não seria beneficiado e novos tomadores poderiam ser excluídos devido a uma oferta de crédito mais restrita.
Galipolo afirmou que a abordagem do Banco Central é construir alternativas que ofereçam escolhas mais vantajosas aos consumidores, em vez de restringir as opções existentes, embora não tenha fornecido detalhes específicos sobre tais medidas. Ele acrescentou que o país conta atualmente com cerca de 100 milhões de usuários ativos de cartão de crédito, um número que cresceu acentuadamente desde a pandemia.







