Ackman busca apoio de Bolloré para oferta pela Universal
Bill Ackman propôs 64 bilhões de dólares pela Universal Music Group. O negócio depende de Vincent Bolloré, que detém o poder de veto sobre a transação atual.
A ambiciosa proposta de US$ 64 bilhões de Bill Ackman pela Universal Music Group NV depende fundamentalmente de um único homem: o bilionário francês Vincent Bolloré. O gestor de fundos de hedge dos Estados Unidos revelou que sua primeira ligação antes de lançar a oferta, nesta semana, foi para Bolloré, cuja influência é vista como o fiel da balança para o sucesso do negócio. Ackman afirmou a investidores que a resposta do maior acionista da Universal às suas investidas foi música para seus ouvidos, indicando que o campo de Bolloré ficou intrigado com a proposta. O fundador da Pershing Square Capital Management destacou a importância central do magnata de 74 anos, que controla direta e indiretamente pouco menos de 32% da empresa que abriga estrelas como Taylor Swift, Billie Eilish e Kendrick Lamar. > Sem Bolloré, não temos uma transação. Embora oficialmente aposentado, Bolloré continua ativo nos negócios na França e possui poder de bloqueio efetivo sobre qualquer transação por meio de sua participação direta e de fatias indiretas através de seu grupo familiar e da Vivendi SE. O grupo de participações Bolloré SE, listado em Paris, não comentou a oferta de Ackman, que é vista pelo mercado como um teste para a abordagem de negócios do magnata francês. A trajetória de Bolloré é marcada por uma série de aquisições oportunistas iniciadas nos anos 90, consolidando um modelo de controle gradual que ele aplicou com sucesso em diversos setores. A Universal, onde o CEO Lucian Grainge opera com autonomia significativa, tem sido uma exceção notável em sua estratégia de gestão direta. A exposição de Bolloré à maior empresa de música do mundo, obtida após a cisão da Vivendi em 2021, é considerada um de seus movimentos mais bem-sucedidos. Vincent Beaufils, autor de uma biografia sobre o empresário, observa que Bolloré sempre soube como destravar valor, agindo de forma marcante com os ativos da Vivendi para extrair a real riqueza do conglomerado. No entanto, nem todas as suas apostas foram vitoriosas, com investimentos na Telecom Italia resultando em perdas bilionárias e disputas legais na Itália. Analistas do JPMorgan Chase & Co expressaram ceticismo quanto à aceitação da proposta de Ackman. Eles argumentam que a Universal dificilmente recomendaria uma oferta que subvalorize materialmente o grupo. Além disso, a estrutura de propriedade complexa do grupo Bolloré e sua preferência histórica por listagens europeias são fatores que podem dificultar o acordo. > Ele vai olhar para isso de uma forma muito fria e analítica. De acordo com notas de mercado, o grupo de Bolloré encerrou o ano passado com uma posição de caixa líquido de aproximadamente 5,6 bilhões de euros, o que reduz a necessidade imediata de liquidez e reforça sua posição como comprador, em vez de vendedor, de ações da Universal.











